SEGURANÇA
Escrito por Helga Rackel em Abril 8, 2008
VIOLÊNCIA IMPULSIONA CRESCIMENTO DE SEGURANÇA PRIVADA
Com o aumento da taxa de criminalidade e violência, serviços de proteção privada ganham espaço no atual cenário urbano. A situação reflete descrédito na segurança pública e promove a difusão do trabalho informal no setor
Helga Rackel
Estudante de Jornalismo
Segundo informações do Departamento de Polícia Federal (DPF), em 2005 havia, oficialmente cadastrados, 1.280.147 vigilantes, 1.727 empresas de vigilância, 1.308 empresas de segurança orgânica e 305 empresas de transportes de valores atuando em todo País. No artigo Crime e Segurança Privada, o sociólogo Luiz Fábio Silva Paiva, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV/ UFC) e do Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão: Gestão Pública e Desenvolvimento Urbano da Universidade Estadual do Ceará (GPDU/ UECE), afirma que a organização da vida em sociedade tem sofrido mudanças significativas, mobilizadas pela crescente difusão de violência e crimes no contexto social. Segundo Paiva, esses fatores motivam a adoção de metodologias de proteção privada, refletindo certo descrédito na capacidade dos serviços públicos de segurança em garantir proteção aos cidadãos.
No Brasil, de acordo com resultados da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) referentes ao ano de 2005, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a receita operacional líquida dos serviços de investigação, segurança, vigilância e transporte de valores, que era de R$ 5,1 bilhões em 2000, cresceu 92,68% em cinco anos. Já o número de empresas no setor cresceu 29,05%; e o pessoal ocupado: 27,73%. Embora não haja uma estatística oficial, estima-se que exista um número bem maior de pessoas trabalhando no setor informal dos serviços de segurança privada, principalmente nas periferias das cidades, onde crescem as demandas e ofertas por serviços de vigilância de rua.
FOTO HELGA RACKEL
O crescimento das empresas de segurança surge na proporção em que a violência e a criminalidade aumentam. Em entrevista por e-mail, Ingrid Macedo, diretora comercial e marketing da Corpvs Segurança e Transportes de Valores, diz que “o medo da violência é um dos principais fatores que contribuem para o serviço de vigilância privada crescer no Ceará”. Conforme estatísticas da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no Ceará, em 2006, foram registrados 19,06 ocorrências por homicídio doloso; 136,92 por lesão corporal; 1,46 por mulheres vítimas de crime com morte (com exceção de crimes culposos no trânsito). Já em 2007, o total de roubos (pessoa e veículo) foi de 334,55 e carros furtados: 161,75. Dados do IBGE, calculados por taxa de 100 mil habitantes.
De acordo com o Sistema Nacional de Segurança e Vigilância Privada (SISVIP), o Ceará tem 91 empresas de segurança privada e orgânica cadastradas. O diretor de esporte e cultura do Sindicato dos Vigilantes do Ceará, Francisco Aneci Araújo Rodrigues, revela que na capital há 6.000 vigilantes trabalhando e no interior, 5.000. “A cada ano, aumentam 1.000 vigilantes trabalhando em todo o Estado”, afirma. Lembrando que dos 30.000 vigilantes que são formados em cursos de capacitação na área de segurança, apenas 11.000 estão trabalhando. Segundo Franciso Aneci, a partir de 2007, os órgãos públicos passaram a contratar serviços de segurança privada. O motivo, fala o diretor, é que “a segurança privada é extensiva, oferece serviço de 24hs, sendo mais completa do que a (segurança) pública; pois são poucos os policiais para atenderem à demanda dos bairros de Fortaleza”. Conforme dados do Sindicato de Vigilantes do Ceará, duas empresas atuam como prestadoras de serviço à Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Fortaleza, oferecendo segurança às escolas públicas da capital. Órgãos públicos como a Fundação da Criança e da Família Cidadã (FUNCI) e a Secretaria de Saúde de Fortaleza também contratam esse tipo de serviço.
As demandas e ofertas por serviços de vigilância de rua nas periferias de Fortaleza crescem. Estatísticas do sindicato apontam que para um vigilante legalizado, três são clandestinos. Francisco Aneci informa que o cearense corre perigo ao contratar serviços de vigilância clandestina. Segundo ele, as pessoas devem procurar empresas autorizadas pela Polícia Federal, pois dispõem de profissionais capacitados para garantir proteção aos cidadãos. “A vigilância clandestina é uma pirataria, é um câncer para a categoria”, desabafa Francisco.
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