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Quem são os filósofos?

Publicado por Helga Rackel em Abril 22, 2008

Texto baseado no capítulo segundo, O Espírito Livre, do livro Além do Bem e do Mal, de Friedrich Nietzsche.

O homem vive em busca da “verdade”. E quando a encontra, ou melhor, pensa que a encontrou, pára no tempo e no espaço. Vive numa constante indolência, permeando entre o real e a ficção; bobeando o conhecimento, satirizando a intelectualidade. Em meio a essas nuances da vida medíocre do homo sapiens, encontram-se aqueles que se “sacrificam pela verdade”, corrompendo a si mesmo. Segundo Friedrich Nietzsche, “todo homem seleto procura instintivamente seu castelo e seu retiro”, salvando-se da multidão. Para ele, é necessário esquecer a regra e ser exceção. E se for preciso uma companhia, que seja de um igual.

O que remete à maioria é grotesco e ignóbio. Porém, para um estudo sério, o filósofo deve passar pelo sacrifício de acompanhar as almas vulgares e conhecer os pensamentos dos cínicos, cuja sensibilidade e indignação felicitarão o homem superior ao fascínio e ao nojo. O Espírito Livre é um desabafo irônico sobre a falta de presto do alemão, a incompreensão do pensamento livre, o animalismo dos fracos, a fortaleza dos filósofos e amantes da filosofia, o prelúdio a uma filosofia do futuro. O filósofo não é aquele que estuda ou escreve filosofia do futuro. O filósofo não é aquele que estuda ou escreve filosofia, mas quem é independente sem obrigação, quem fala a verdade sem intimar sua verdade. Ele é livre e permite o outro ser livre.

O filósofo sabe não ser escravo da liberdade. Para alcançar a compreensão, ou melhor, conseguir compreender, o homem deve passar pela transição do castigo de si mesmo. Dilacerar os sentimentos, duvidar dos pensamentos, suspeitar da própria consciência são prerrogativas que fazem parte dessa transição, do processo de evolução do conhecimento. O homem sai do estágio primitivo da moral, cujo valor de uma ação parte de sua intenção, para a superação dessa moral; onde o valor decisivo de uma ação é não-intencional, é “extramoral”.

Os “imoralistas”, como o próprio Nietzsche, acreditam que é preciso fazer interpretação não apenas da superfície, mas também do que está por trás dela; que deve-se desconfiar, libertar-se da compaixão e aprender com a solidão. O filósofo tem o direito de ser mau-caráter, malicioso e desconfiado do enganar e do ser enganado. Buscar a verdade não é fazer o bem. É ter vontade e vontade de poder. Analisar o “caráter inteligível” através dos efeitos da atuação da vontade sobre a vontade, não do material, permite a ascenção da interperpretação sobre o texto.

De acordo com Friedrich, o filósofo independente não é como o idealista que se entusiasma com o pouco, quando este basta ser bom e belo. O espírito independente não teme o mal, muito menos os perigos da vida, deste jogo cheio de provas e agonias. O filósofo de espírito livre usa máscaras mesmo quando pensa que não as têm. Para ele, o pudor é criativo. Ser criativo é fazer prova de si mesmo e não fugir das provas. Porém, sabendo se preservar, porque esta é a mais dura prova da independência.

Em seu texto, Nietzsche insinua que os filósofos do futuro poderiam ser chamados de tentadores. Seriam novos amigos da verdade, diferentes dos amantes da verdade naquele tempo. Todavia, sua verdade seria apenas “sua verdade” e não, uma verdade dogmática, uma causa da multidão. “Seu ‘conhecer’ é criar, seu criar é legislar, sua vontade de verdade é – vontade de poder”. Contudo, o livre-arbítrio é um meio para realizar a liberdade, e um meio ambíguo. Bem empregado, liberta; mal empregado, escraviza. A tirania do vício é a perda da liberdade. E o vício, a cegueira do homem médio e o objeto de estudo do homem superior. Quem são os filósofos?


* NIETZSCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

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Até que ponto a verdade existe?

Publicado por Helga Rackel em Março 19, 2008

LupaEsse é o questionamento quando analisamos a linguagem na notícia. A linguagem como distorção do real abre espaço para a presença da subjetividade no jornalismo, dentre outros fatos. O jornal é um meio pelo qual transparece a informação da “verdade” para a sociedade. Seu texto trabalhado com base em dados, números, citações, nomes, cargos, tempo e espaço apresenta uma narrativa verossímel e “imparcial” à audiência.

Entretanto, o profissional de jornalismo, focalizando um objeto em sua notícia, tecendo informações precisas sobre o fato ocorrido (com base em observações de autoridades), ainda é subjetivo e parcial. Sua visão e vivência cotidiana influencia – de uma certa forma – na análise do fato, mesmo escpecificando o objeto e seu sujeito. A linguagem é a conseqüência dessa postura. Até o momento em que o jornalista observa o objeto, ele absorve o fato com mais precisão, mas a partir da sua análise e preocupação em escrever ou formatar a linguagem, seu aspecto de objetividade perde para a subjetividade.

O público ouve ou lê a notícia de acordo com o olhar do jornalista, até quando este apresenta a prova de seu argumento. A verdade é limitada à interpretação daquele que a apresenta e daquele que a obtém. A linguagem é modificada.

Os significados simbólicos têm bombardeado a necessidade de mudanças no jornalismo atual, trazendo o povo para participar – ou fazendo-o pensar que participa – do seu contexto informativo. O incremento da subjetividade no período moderno deixou como herança jornais que valorizam mais a opinião que a notícia. Então, até que ponto a verdade existe?

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