Verblogando

O blog de todos os verbos

Jornalismo

Escrito por Helga Rackel em Maio 27, 2008

IMEDIATISMO ON-LINE GERA MUDANÇAS NA COMUNICAÇÃO

Helga Rackel
Estudante de Jornalismo

“A Internet é a única mídia que pode abrigar, tecnologicamente falando, as demais mídias, por comportar som, texto e imagem ao mesmo tempo”, declara Marília Cordeiro, editora de convergência do O Povo, falando sobre o atual contexto do fazer jornalístico. A cada dia, mudanças na maneira de produzir a notícia desafiam os jornalistas. Com o advento das novas tecnologias, os meios de comunicação se readaptam. Diante desta realidade, o trabalho dos profissionais de jornalismo passa pelo aprimoramento na tarefa de convergir notícias em diferentes mídias. Empresas que antes noticiavam através do veículo impresso, tevê ou rádio, aderem ao imediatismo da internet.

Segundo Marília, com a possibilidade de pautar os demais meios nas coberturas factuais, a internet diminui o tempo entre o acontecimento e a notícia, fazendo com que a apuração seja mais rápida na tevê e na rádio. Já no impresso, o texto puramente factual tende a ser analítico. Eliomar de Lima, 45, jornalista há 24 anos, radialista, professor e escritor de histórias infantis, acredita que o jornal impresso não se acaba e sim, se transfere. “O jornal se adapta, vive momento de reavaliação, vai além da informação”, diz. Hoje, empresas jornalísticas investem em portais, blogs, além de criarem o jornal digital. Adepto à interatividade do universo blogueiro há 1 ano e 6 meses, Eliomar fala que os blogs democratizam a informação e possibilitam a interação – retorno instantâneo dos leitores, seja para criticar ou elogiar. Para Leonardo Fontes, editor de conteúdo do Portal Verdes Mares, o público é o agente direto da notícia, pois a internet funciona com uma rapidez que agrada a esse novo leitor. “E blogs são apenas a ponta do iceberg do que é a internet social”, considera.

A produção imediata das notícias traz à tona questionamentos quanto à credibilidade e o aprofundamento das informações. Profissionais e amadores dividem o mesmo espaço virtual para divulgarem notícias em tempo real. Para identificar a veracidade das informações, o jornalista Eliomar de Lima atribui a credibilidade ao nome do profissional. “A diferença está no conteúdo e em quem escreve”, declara. Já Marília Cordeiro, diz que o uso das técnicas e a vivência auxiliam na checagem das fontes, além da fundamentação do texto com números, documentos, pesquisas e estudos. “É importante que o receptor crie uma relação com estas ‘fontes virtuais’ para criar o bom senso de saber o que é verídico ou não”, complementa.

O imediatismo no jornalismo on-line também provoca a superabundância e o barateamento das notícias, além da sua instantaneidade. Sites como o Overmundo, Orkut, Youtube são celeiros de publicações noticiosas sobre diversos temas. As postagens são feitas por qualquer pessoa, profissional ou não, que queira divulgar textos, áudio ou vídeos de sua autoria. Tais mecanismos equiparam o mesmo espaço que possibilitam a formação de repórteres-cidadãos, os quais trabalham o corporativismo da informação, invadindo espaços que antes pertenciam apenas aos jornalistas. O leitor seleciona, legitima, aprova ou desaprova. Essa interatividade expande os meios de comunicação e produz a hipertextualidade das notícias on-line.

Lauriberto Braga, jornalista especializado em Publicidade & Propaganda, correspondente da Agência Nordeste e professor da Faculdade Integrada do Ceará (FIC), acredita que o repórter-cidadão, para a rádio, é interessante. Porém, para o jornal, a pessoa deve estar preparada para escrever. “Isso deve ser feito só pelo jornalista”, enfatiza. Segundo Braga, o repórter-cidadão é o início da cobertura, podendo sugerir pauta, fotografar, filmar e vender a imagem. “Mas não pode escrever se não for jornalista”, reitera. De acordo com Leonardo Fontes, jornalistas e empresas jornalísticas vivem uma crise: a perda de sua hegemonia como mensageiros. Hoje, qualquer pessoa pode dar voz à notícia, lançando um novo olhar para a apuração das informações. Porém, ele considera que esta crise seja boa para o setor de comunicação. “O jornalismo enquanto ideal, técnica, função, troca de informações, fluxo de idéias, opiniões, debates sociais e responsabilidade na transmissão de informações, nunca esteve em melhor forma, mesmo porque como todos têm voz, existem mais fiscais de qualidade, mais visões de mundo e mais fontes”, conclui.

Estat�sticas de acesso

Fonte: Google Analytics - referente ao período de um mês, entre Abril e Maio de 2008. *Acessos por mês: contabilizam o número de sessões individuais iniciadas por todos os visitantes no site. **Exibições de páginas: contabilizadas a cada página que é visitada dentro do site.

Enviado em Jornalismo, Notícias | Tagged: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário »

“Aperreio”

Escrito por Helga Rackel em Maio 2, 2008

 

Transporte coletivo

Ser usuário de ônibus é uma ginástica. Um exercício obrigatório de sobrevivência. Fortaleza tem se desenvolvido como as demais capitais, expandindo seus horizontes urbanos. Não é mais tranqüila como nos tempos de meus avós – assim eles contavam. Com o progresso capitalista, novas tecnologias são inseridas no contingente social. Carros de luxo e carros populares, motos, bicicletas, ônibus e topics… Todos fazem parte do dia-a-dia fortalezense. Há aqueles que preferem economizar, deixando seu automóvel na garagem. Outros optam em dirigir do que “ser dirigido”. Ônibus não é veículo para covardes. O transporte coletivo está para os cidadãos, assim como o obstáculo está para os atletas! O trânsito de nossa querida capital ensolarada não favorece ao trabalhador que acorda cedo para não atrasar, muito menos ao estudante que chega tarde da noite em casa, depois de horas de aulas. Ou seja, o desenvolvimento humano parece que não é bem vindo aqui.

Passando por condições subumanas, passageiros entram e saem de coletivos ou topics feitos “sardinhas”. Agüentam pisadas, empurrões e palavrões dos mal-humorados companheiros de viagem, como do motorista ou do trocador. Estes, sempre aborrecidos quando estão atrasados. Certo. Mas onde fica o controle de tráfego da nossa “Fortaleza Bela”? Trajetos que se tornam estressantes dentro e fora do veículo são comuns na rotina urbana. Exemplos: motoqueiros que ultrapassam os carros, fazendo zig-zags mortais para driblar o tempo e o espaço; ciclistas enfrentando as mesmas vias dos automóveis; pedestres correndo fora da faixa de trânsito etc. Assim, a vida urbana acelera toda hora, sem tempo para descansar.

Trafegando nas vias públicas, percebemos a carência de reformas no trânsito da capital cearense. Ser estudante e assalariada tem me proporcionado grandes emoções no itinerário casa-trabalho-casa-faculdade-casa, sempre passando pelo terminal. Passar minutos preciosos na fila à espera do ônibus, ser quase esmagada ao subir, sufocada ao passar todo o trajeto em pé. Tanto sacrifício porque não há carros suficientes para a mesma linha nas horas de pico. Vai-vem dentro e fora. Agonia e alívio. Onde está a política pública nesses momentos de tensão dos fortalezenses? Nenhum ser humano merece ser tão humilhado ao sair de casa. Somos nós que movimentamos a máquina capitalista do consumo e das repartições públicas. Para cumprir com nossos deveres de cidadãos, não usufruímos nossos direitos. Há uma crescente e gritante necessidade de mudanças em nossa sociedade, a começar pelo trânsito infernal que mata e aleija pessoas comuns. Estas que não têm condições de esperar no carro, ouvindo música sob o clima fresco do ar-condicionado.

*Imagem: Diário do Nordeste.

Enviado em Crônicas | Tagged: , , , , , , , , , , , , , , , | 6 Comentários »