As críticas de Walter Benjamin no ensaio “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica”, abrem um novo plano para o estudo das reproduções de obras de arte produzidas desde os tempos antigos até a época atual. Apresentando o valor da aura, encontrada no original de uma atividade artística, o autor analisa se ela, ante as mudanças ocorridas na modernidade, ainda se faz presente no objeto. Benjamin observa que, se por um lado o progresso tecnológico trouxe benefícios para a população que não tinha acesso àqueles trabalhos, por outro ele termina por desvalorizar o artístico. A obra de arte possui uma autoridade que se perde quando reproduzida; sendo que as reproduções não são de todo maléficas. A reprodução técnica, no caso da fotografia, permite ressaltar aspectos que o original não mostrou, devido a recursos como a ampliação e a câmera lenta. Embora essa reprodutibilidade não altere a essência da obra, ela causa uma desvalorização da sua originalidade e autenticidade. A aura que envolve a arte só se perde na medida em que ocorre a multiplicação dos exemplares da obra, fazendo com que esta se transforme num fenômeno de massa, quando na verdade foi produzida uma única vez.
Mesmo a imagem fotográfica tendo sua significação histórica, ainda há polêmica no que diz respeito à interpretação do que seja “obra de arte”. O belo é arte? O que é o belo senão o sentimento, o prazer e o objetivo – além do subjetivo, os quais envolvem a produção artística, seja ela artesanal ou mecânica?
Para o senso comum, não há dificuldade em definir o que é arte: arte é a manifestação da beleza. O problema está quando começamos a discutir o significado da palavra beleza. O escritor russo, Leon Tolstoi, comenta que, a cada nova obra de estética, a beleza é definida de uma maneira diferente. Enquanto que para o fundador da estética, o filósofo alemão Alexander Baumgarten, a beleza é o perfeito percebido pelos sentidos, cuja tarefa mais elevada da arte é a imitação da natureza.
+ informação: Leon Nikolaievitch Tolstoi (1828-1910): escritor russo nascido em Iásnaia Poliana, famoso por suas idéias pacifistas. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz, sobre as campanhas de Napoleão na Rússia, e Anna Karenina, onde denuncia o ambiente da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura. Alexander Gottlieb Baumgarten (1714- 1762): filósofo alemão nascido em Berlim, criador do vocábulo Aesthetica (=estética). Ensinou nas Universidades de Halle e em Frankfurt e escreveu em latim sua obra mais notável Aesthetica (1750-1758), onde descreveu o conceito da nova palavra. Ainda foi autor de várias outras obras sobre lógica, ética e teologia como Métaphysique (1739) e Esthétique (1750-1758). Walter Benedix Schönflies Benjamin (1892-1940): crítico literário e filósofo judeu alemão, nasceu em Berlim. Conhecido por apresentar uma visão do cinema diferente da maioria dos integrantes da Escola de Frankfut, ele aborda a concepção de meios de comunicação de massa a partir da discussão sobre a reprodutibilidade técnica. Aura: distância e reverência que cada obra de arte, na medida em que é única, impõe ao observador. Reprodutibilidade Técnica: a reprodução mecânica do objeto de arte.



