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(Cons)Ciência

Escrito por Helga Rackel em Março 26, 2008

Texto baseado no Capítulo 1: Para a Ciência, do livro Ciência com consciência (Edgar Morin).

 

        A ciência tem avançado no conhecimento de forma surpreendente nesses últimos anos. O desenvolvimento da biotecnologia, nanotecnologia, entre outras tecnologias, tem causado descobertas científicas as quais transpõem o limite da ética do conhecimento. Esse domínio conduz à cegueira do controle intelectual.

            A ética cívica e humana entra em questão a partir do momento em que a fronteira do conhecimento é subjugada pela certeza da conquista. A priori, a ciência empossava-se da verdade adquirida pela descoberta da pesquisa investigativa.Lupa Entretanto, hoje, a incerteza faz parte, também, da complexidade científica. Seu desenvolvimento tende ao antagonismo de seus objetivos. O bem pode tornar-se o mal. Assim, o conhecimento científico amplia os horizontes dos investigadores, gerando progressos e ao mesmo tempo, paralelos negativos.

        Morin faz uma analogia a esses acontecimentos, comparando essas transformações à história bíblica sobre a árvore do Éden, cujo fruto foi experimentado por Adão e Eva, trazendo à tona o conhecimento do bem e do mal, predispondo até a infelicidade da serpente perante a ganância do homem, dizendo que o peso dos frutos pode derrubá-la sobre os três. Contudo, podemos associar a árvore à ciência, o fruto ao conhecimento científico, a serpente à vaidade, Eva ao cientista e Adão à sociedade.

        A vaidade intelectual do homem proporciona sucessivas escolhas entre a prioridade de conquistar o ilimitável e a necessidade de investigar seu objeto de pesquisa para ajudar o outro a vencer suas limitações em busca da cura política, social, econômica e/ ou científica.

        Segundo o autor, todo cientista tem dois deuses os quais são complementares por precisarem da ética, como também, contraditórios diante do sacrifício da sede do conhecer e da presteza à cidadania. Exige-se a precisão do controle intelectual como reforma do modo de pensar para que não haja fuga da real reflexão sobre o observado e seu observador.

        A ciência não é total benignidade, mas tem progredido. O uso dessa progressão demonstra a capacitação do domínio sob as mãos do homem. A reforma do pensar seria o controle desse domínio.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 7ª ed. - Rio de Janeiro, RJ: Editora Bertrand Brasil, 2003.

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Jornalismo e ética: utopia?

Escrito por Helga Rackel em Março 14, 2008

Segundo Heráclito, filósofo pré-socrático, “a ética é o anjo protetor do ser humano”. Seus princípios universais têm como base o bem, a verdade, a justiça e a liberdade. É a fundamentação da ação humana, alicerçada no usufruto de seus direitos e deveres. O filósofo e teólogo Leonardo Boff, no livro A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana (1997), explica que a ética (do grego: ethos) é verdadeiramente humana quando se é permanente (necessidade de ter moradia) e mutável (estilo com que constrói a moradia, tornando-a sempre habitável). Porém, onde está a ética?

Trantando deste assunto sob a perspectiva do atual jornalismo, percebe-se uma ética “aleijada” e subjugada aos interesses particulares. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, Cap. I/ Art. 2º/ I, diz: a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica - se pública, estatal ou privada - e da linha política de seus proprietários e/ ou diretores. Destarte, a informação deve ser divulgada de acordo com a veracidade dos fatos, tendo como compromisso a responsabilidade social e o interesse público. Todavia, não é o que de fato acontece.

No decorrer dos anos, as novas tecnologias têm aprimorado o “fazer jornalismo”. Web, rádio, tevê, impresso e jornais alternativos se transformam com o intuito de difundir a informação rápida, objetiva e eficaz; alcançando maior parcela da sociedade. Entretanto, a liberdade de expressão é banalizada e a ética, esquecida. O sensacionalismo, a política e os interesses particulares são promissores da nova arte da comunicação jornalística.

Será que a necessidade de uma moradia tem construído um lugar habitável? Leia-se: o “direito à informação” realmente existe e é a favor da sociedade? Se “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, creio que o habitat é moldado conforme as conveniências das camadas elitistas da sociedade, pois estas detêm os meios de comunicação. Cabe aos futuros jornalistas lutarem por um jornalismo democrático, pelo exercício da ética, pelo direito à informação. Pois se notícia é só notícia quando vendável… tunc erit finis.

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