Devagando
Escrito por Helga Rackel em Janeiro 31, 2008

No silêncio da noite, cá estou. Esperar o dia amanhecer ou dormir para esvaecer em sonhos e desejos? Começo a escrever, a me inspirar e deixar fluir as dádivas de ser um ser pensante. Interessante como a solidão pode ser uma opção. Não falo da solidão conseqüente da ausência de uma companhia, mas daquela proporcionada pela calmaria, pela paz que exala das estrelas e se achega ao “eu” incólume. O silêncio instiga a pensar e a noite inspira a organização das idéias. Daí eu me pergunto: quanto vale estar só? Sim, agora vale muito. Nesse momento devaneio as lembranças que assolam meu bem-estar. A lua parece gritar dentro de minh’alma, como se fôssemos um mesmo corpo envolto no universo excêntrico e intrigante de viver o mistério noturno. A alma é forjada em composições sutis e intencionais. Cogito, ergo sum! Assim dizia o filósofo Renée Descartes. Porém, verbalizar em tintas e papéis vai além da significância do existir; transcende a nostalgia do pensar, propaga a importância de se fazer existir. É como o pleno sentido de amar… Pois o amor tem um toque de mágica, cujo sonho não desabita a realidade. Pensar é amar. E a escrita é o exercício desse amor. Para isso vivo, para isso sou. Eu e a lua. O universo e a noite. O silêncio e o mistério. A solidão é o tempero nesse momento…
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