Filosofia e Arte
Publicado por Helga Rackel em Dezembro 14, 2008
As críticas de Walter Benjamin no ensaio “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica”, abrem um novo plano para o estudo das reproduções de obras de arte produzidas desde os tempos antigos até a época atual. Apresentando o valor da aura, encontrada no original de uma atividade artística, o autor analisa se ela, ante as mudanças ocorridas na modernidade, ainda se faz presente no objeto. Benjamin observa que, se por um lado o progresso tecnológico trouxe benefícios para a população que não tinha acesso àqueles trabalhos, por outro ele termina por desvalorizar o artístico. A obra de arte possui uma autoridade que se perde quando reproduzida; sendo que as reproduções não são de todo maléficas. A reprodução técnica, no caso da fotografia, permite ressaltar aspectos que o original não mostrou, devido a recursos como a ampliação e a câmera lenta. Embora essa reprodutibilidade não altere a essência da obra, ela causa uma desvalorização da sua originalidade e autenticidade. A aura que envolve a arte só se perde na medida em que ocorre a multiplicação dos exemplares da obra, fazendo com que esta se transforme num fenômeno de massa, quando na verdade foi produzida uma única vez.
Mesmo a imagem fotográfica tendo sua significação histórica, ainda há polêmica no que diz respeito à interpretação do que seja “obra de arte”. O belo é arte? O que é o belo senão o sentimento, o prazer e o objetivo – além do subjetivo, os quais envolvem a produção artística, seja ela artesanal ou mecânica?
Para o senso comum, não há dificuldade em definir o que é arte: arte é a manifestação da beleza. O problema está quando começamos a discutir o significado da palavra beleza. O escritor russo, Leon Tolstoi, comenta que, a cada nova obra de estética, a beleza é definida de uma maneira diferente. Enquanto que para o fundador da estética, o filósofo alemão Alexander Baumgarten, a beleza é o perfeito percebido pelos sentidos, cuja tarefa mais elevada da arte é a imitação da natureza.
+ informação: Leon Nikolaievitch Tolstoi (1828-1910): escritor russo nascido em Iásnaia Poliana, famoso por suas idéias pacifistas. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz, sobre as campanhas de Napoleão na Rússia, e Anna Karenina, onde denuncia o ambiente da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura. Alexander Gottlieb Baumgarten (1714- 1762): filósofo alemão nascido em Berlim, criador do vocábulo Aesthetica (=estética). Ensinou nas Universidades de Halle e em Frankfurt e escreveu em latim sua obra mais notável Aesthetica (1750-1758), onde descreveu o conceito da nova palavra. Ainda foi autor de várias outras obras sobre lógica, ética e teologia como Métaphysique (1739) e Esthétique (1750-1758). Walter Benedix Schönflies Benjamin (1892-1940): crítico literário e filósofo judeu alemão, nasceu em Berlim. Conhecido por apresentar uma visão do cinema diferente da maioria dos integrantes da Escola de Frankfut, ele aborda a concepção de meios de comunicação de massa a partir da discussão sobre a reprodutibilidade técnica. Aura: distância e reverência que cada obra de arte, na medida em que é única, impõe ao observador. Reprodutibilidade Técnica: a reprodução mecânica do objeto de arte.


