Verblogando

O blog de todos os verbos

Arquivo para Maio 2nd, 2008

“Aperreio”

Escrito por Helga Rackel em Maio 2, 2008

Transporte coletivo

Ser usuário de ônibus é uma ginástica. Um exercício obrigatório de sobrevivência. Fortaleza tem se desenvolvido como as demais capitais, expandindo seus horizontes urbanos. Não é mais tranqüila como nos tempos de meus avós – assim eles contavam. Com o progresso capitalista, novas tecnologias são inseridas no contingente social. Carros de luxo e carros populares, motos, bicicletas, ônibus e topics… Todos fazem parte do dia-a-dia fortalezense. Há aqueles que preferem economizar, deixando seu automóvel na garagem. Outros optam em dirigir do que “ser dirigido”. Ônibus não é veículo para covardes. O transporte coletivo está para os cidadãos, assim como o obstáculo está para os atletas! O trânsito de nossa querida capital ensolarada não favorece ao trabalhador que acorda cedo para não atrasar, muito menos ao estudante que chega tarde da noite em casa, depois de horas de aulas. Ou seja, o desenvolvimento humano parece que não é bem vindo aqui.

Passando por condições subumanas, passageiros entram e saem de coletivos ou topics feitos “sardinhas”. Agüentam pisadas, empurrões e palavrões dos mal-humorados companheiros de viagem, como do motorista ou do trocador. Estes, sempre aborrecidos quando estão atrasados. Certo. Mas onde fica o controle de tráfego da nossa “Fortaleza Bela”? Trajetos que se tornam estressantes dentro e fora do veículo são comuns na rotina urbana. Exemplos: motoqueiros que ultrapassam os carros, fazendo zig-zags mortais para driblar o tempo e o espaço; ciclistas enfrentando as mesmas vias dos automóveis; pedestres correndo fora da faixa de trânsito etc. Assim, a vida urbana acelera toda hora, sem tempo para descansar.

Trafegando nas vias públicas, percebemos o quanto é perceptível a carência de reformas no trânsito da capital cearense. Ser estudante e assalariada tem me proporcionado grandes emoções no itinerário casa-trabalho-casa-faculdade-casa, sempre passando pelo terminal. Passar minutos preciosos na fila à espera do ônibus, ser quase esmagada ao subir, sufocada ao passar todo o trajeto em pé. Tanto sacrifício porque não há carros suficientes para a mesma linha nas horas de pico. Vai-vem dentro e fora. Agonia e alívio. Onde está a política pública nesses momentos de tensão dos fortalezenses? Nenhum ser humano mercê ser tão humilhado ao sair de casa. Somos nós que movimentamos a máquina capitalista do consumo e das repartições públicas. Para cumprir com nossos deveres de cidadãos, não usufruímos nossos direitos. Há uma crescente e gritante necessidade de mudanças em nossa sociedade, a começar pelo trânsito infernal que mata e aleija pessoas comuns. Estas que não têm condições de esperar no carro, ouvindo música sob o clima fresco do ar-condicionado.

*Imagem: Diário do Nordeste.

Enviado em Crônicas | 6 Comentários »