A alienação sob a sombra da religião e do Estado
Publicado por Helga Rackel em Abril 15, 2008
Paper sobre o livro Deus e o Estado, do filósofo Mikhail Bakunin.
O desenvolvimento humano caracteriza-se pelos processos da animalidade humana, do pensamento e da revolta. Onde, segundo o autor, “À primeira corresponde propriamente a economia social e privada; à segunda, a ciência; à terceira, a liberdade.” Tais características realizam-se de forma alienada sob a sombra da religião e do Estado na sociedade, cuja liberdade é alcançada quando a revolta cumina ante o processo sistemático e programado pela centralização do poder nas mãos da minoria. Bakunin analisa a crença em Deus como uma fuga do ser humano diante da perspectiva de pobreza e abandono social. Como forma de construir um “herói” para salva-lo de seus fracassos, o homem imagina um ser puramente perfeito, todo-poderoso e cheio de bondade, cuja função é controlar os males na terra e amontoar os bens no céu. O Estado, como corpo forte e eleito, posiciona-se diante de Deus e do homem como um canal de comunicação, escolhido pelo soberano e inspirado por ele, para induzir os passos da sociedade no caminho da história controlada por eles. Para o filósofo, “Proclamar como divino tudo o que se encontra de grande, de justo, de real, de belo, na humanidade, é reconhecer implicitamente que a humanidade, por si própria, teria sido incapaz de produzi-lo”, condicionando sua existência histórica a crenças disseminadas e compreendidas pela ignorância idealista das classes baixas. A ciência é uma fonte de descobertas dos fatos e uma luz para compreensão desses fatos. Entretanto, ao adquirir mais conhecimento e desenvolvimento, os cientistas têm absolvido tais descobertas e retido o direito do povo de participar e dar-se a conhecer novos horizontes de sobrevivência. Diante da pobreza e da descentralização do poder condicionadas pelo Estado e a Igreja, o povo tem sido vítima das lástimas da miséria e da ignorância do saber, sujeitando-se a caminhar para trás diante do que poderia ser evolução. Os idealistas e os materialistas têm proclamado seus propósitos, todavia, tais declarações não despertam a sociedade à revolta contra Deus e o Estado. Os interesses egoístas e soberbos da Igreja impedem a democratização da condição humana perante a liderança do Estado, pois este, sabendo do apego do ser humano ao abstrato, não proclama justiça e participação de todos, mas subestima a capacidade de pensar e agir da sociedade subjugada à prisão aparente da falta de ser e fazer.
O homem tende a acomodar-se quando aceita o pouco, sem questionar e perceber que poderia e tem condições de conseguir mais. A liberdade não seria a libertação do espírito de seu corpo, mas a percepção e ação de revoltar-se contra a opressão imputada pelo sistema e seus inspiradores. Mikhail Bakunin considera o Cristianismo o absurdo emergido do proletariado antigo e atual. Tal ideologia seria a base da desordem capitalista para omitir o conhecimento à humanidade. O controle do Estado, a imponência da Igreja como representante de Deus na terra, a soberba da Ciência mediante as necessidades do povo levantam-se como barreiras capazes de sufocar àqueles que não se permitirem a saírem de sua zona de conforto e lutar pelo ideal humanitário, solidário do direito de ser e fazer conforme suas necessidades coletivas e individuais de desenvolvimento humano. Este não depende da arte, da cultura, da política, da economia, da religião ou da ciência, mas da negação do abstrato e a legitimação da busca do real mediante a cura da cegueira universal. Apesar de não terminar seu livro, o autor possibilita-nos a compreender seus objetivos e alcançá-los se acreditarmos em nós mesmos.


Helga Rackel disse
“A ciência incha, mas o amor edifica.”
1 Coríntios 8:1 – Bíblia Sagrada
Sonia Regly disse
Helga,
Você está de parabéns, nota-se que a sua prioridade é transmitir as coisas de Deus. Indiquei seu lindo e abençoado Blog, para ganhar o selo: Esse Blog é escrito com Amor. Dê uma olhada lá no meu para se informar.Beijinhos.
Rubens disse
“… se acreditarmos em nós mesmos.” Olá, gostaria de poder falar um pouco acerca dessa passagem. Não estou condenando, apenas levantando uma discursão sobre o mesmo. Provavelmente você já ouviu falar em um escritor chamado G.K Chesterton, em seu livro Ortodoxia ele fala sobre acreditar em si mesmo. Aqui esté o trecho:
“Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens que acreditam em si mesmos com uma confiança mais colossal do que a de Napoleão ou César. Sei onde arde a estrela fixa da certeza e do sucesso. Posso conduzi-lo aos tronos dos super-homens. Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos”…”Atores que não sabem representar acreditam em si mesmos; e os devedores que não vão pagar. Seria muito mais verdadeiro dizer que um homem certamente fracassará por acreditar em si mesmo. Total autoconfiança não é simplesmente um pecado; total autoconfiança é uma fraqueza. Acreditar absolutamente em si mesmo é uma crença tão histérica e supersticiosa como acreditar em Joanna Southcote*.
*Ela (1750-1814) se dizia virgem e grávida do novo Messias, e chegou a ter muitos seguidores.
Também concordo. Acreditar em si mesmo é mais um passo para o egocentrismo e o narcisismo. Creio que o fato de alguém acreditar em si mesmo elimina qualquer necessidade de acreditar ninguém mais. O que acha? E sejamos sinceros, o humanismo como proposta de substituição para qualquer ideologia vigente é pura falácia, pois se de fato fosse possível através do humanismo resolver os problemas existentes nas sociedades os homens mais ricos do mundo seriam os mais nobres seres humanos, o que obviamente não procede.
Obrigado pelos comentários.
Helga Rackel disse
“…se de fato fosse possível através do humanismo resolver os problemas existentes nas sociedades os homens mais ricos do mundo seriam os mais nobres seres humanos…” E quem disse que os mais pobres são humanistas? Falácia é a atitude de generalizar, considerar uma parte como um todo. Por isso, acredito que apesar dos males, ainda existem pessoas que fazem a diferença, através do amor, da paz e da solidariedade.
Rubens,
Gostei do seu comentário. Obrigada pela discussão levantada sobre o assunto. E, do ponto de vista que você detalha o signifcado do “acreditar em si mesmo”, concordo. Porém, ainda não é uma verdade absoluta. Há diferença entre egoísmo e altruísmo. Você pode acreditar em si mesmo, ao ponto de ser egoísta. Como também, pode acreditar na sua capacidade de mudar, de fazer diferente, sendo altruísta. Diante de tudo isso, escrevi o texto acima, relatando o que o autor descreveu sobre suas idéias. Porém, não sou adepta a elas. Ou melhor, à realidade que ele quis transmitir. Considero o filósofo um tanto anarquista no seu modo de ver. No que se refere à Igreja como instituição humana, é bem verdade quando ele esclarece a relação Igreja e Estado. Todavia, no que diz respeito igreja como corpo de Cristo, então essa ideologia não funciona.
Bom… Se fôssemos discutir sua profundidade, se eu esclarecesse minha opinião de maneira mais detalhada, com certeza não conseguiria expôr tudo aqui.
Obrigada por sua visita e seu brilhante comentário.
Deus o abençoe.