Até que ponto a verdade existe?
Escrito por Helga Rackel em Março 19, 2008
Esse é o questionamento quando analisamos a linguagem na notícia. A linguagem como distorção do real abre espaço para a presença da subjetividade no jornalismo, dentre outros fatos. O jornal é um meio pelo qual transparece a informação da “verdade” para a sociedade. Seu texto trabalhado com base em dados, números, citações, nomes, cargos, tempo e espaço apresenta uma narrativa verossímel e “imparcial” à audiência.
Entretanto, o profissional de jornalismo, focalizando um objeto em sua notícia, tecendo informações precisas sobre o fato ocorrido (com base em observações de autoridades), ainda é subjetivo e parcial. Sua visão e vivência cotidiana influencia - de uma certa forma - na análise do fato, mesmo escpecificando o objeto e seu sujeito. A linguagem é a conseqüência dessa postura. Até o momento em que o jornalista observa o objeto, ele absorve o fato com mais precisão, mas a partir da sua análise e preocupação em escrever ou formatar a linguagem, seu aspecto de objetividade perde para a subjetividade.
O público ouve ou lê a notícia de acordo com o olhar do jornalista, até quando este apresenta a prova de seu argumento. A verdade é limitada à interpretação daquele que a apresenta e daquele que a obtém. A linguagem é modificada.
Os significados simbólicos têm bombardeado a necessidade de mudanças no jornalismo atual, trazendo o povo para participar - ou fazendo-o pensar que participa - do seu contexto informativo. O incremento da subjetividade no período moderno deixou como herança jornais que valorizam mais a opinião que a notícia. Então, até que ponto a verdade existe?
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