Verblogando

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Arquivo para Março 18th, 2008

O grotesco herói sonhador

Escrito por Helga Rackel em Março 18, 2008

Dom Quixote
Dom Quixote e Sancho Pança, por Pablo Picasso

O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha, livro de autoria do espanhol Miguel Cervantes (1547 – 1616), conta a história de um nobre chamado Alonso Quijano, de aproximadamente 50 anos, sem muitas posses, que adorava ler as antigas novelas de cavalaria medievais. Vibrava com os feitos dos heróis e os valores que defendiam: a honra, a justiça, a fidelidade ao rei e a uma dama etc. Observando que, no mundo o qual vivia, as pessoas não mais cultuavam esses valores, resolve tornar-se cavaleiro andante e prosseguir caminhos rumo a aventuras. Para isso, seguindo o exemplo dos grandes heróis, veste uma velha armadura de cavaleiro, herança de sua família; muda seu nome para Dom Quixote de La Mancha; batiza seu cavalo velho e magricelo de Rocinante; inventa uma linda donzela (a verdadeira mulher chama-se Aldonza Lorenzo, é uma camponesa feia, pobre e não o conhece), dando-lhe o nome de Dulcinéa del Toboso e transforma o vizinho gordo e bonachão, Sancho Pança, em seu escudeiro (espécie de ajudante de cavaleiro). Assim, o herói sonhador sai em busca das mais bizarras e perigosas aventuras, confundindo o real com o imaginário.

Analisando a obra sob alguns aspectos, destaca-se a crítica que o autor faz em relação aos estereótipos dos heróis cavaleiros, criando um personagem, na realidade, anti-herói. Dom Quixote é uma caricatura dos consagrados cavaleiros medievais. As trapalhadas e devaneios narrados nos capítulos desse livro fazem do cavaleiro andante um herói problemático, isto é, um herói humano, que não é perfeito em tudo. Ou seja, um homem cujas fraquezas e derrotas são bastante exploradas. Cervantes desmascara convenções e ideais daquela época, de modo risível e tragicômico. Por conseqüência, a reação afetiva do leitor diante da obra é de espanto e riso. O grotesco está presente em todos os textos.

A palavra grotesco vem de gruta, porão (em italiano: grotta). Entretanto, essa expressão foi sempre associada ao imperfeito e ao irreal. No final do século XVII, “grotesco” é definido por Richelet, como “aquilo que tem algo de agradavelmente ridículo”. Na mesma época, a Academia Francesa já o qualifica como “ridículo, bizarro, extravagante”. A palavra, no entanto, adquire significados associados ao desvio de costumes ou convenções culturais, quebrando as normas expressivas dominantes. Logo depois, no século XIX, é considerada como categoria estética.

Com base nesse conceito, verifica-se que o romance revela o grotesco crítico nas características e experiências de Dom Quixote. Por exemplo: o capítulo VIII, narra uma das mais conhecidas aventuras de Dom Quixote e Sancho Pança: o ataque aos moinhos de vento. O cavaleiro andante em sua primeira aventura com o escudeiro, confunde os moinhos com gigantes poderosos. Acreditando nessa visão, o anti-herói, “louco de amarrar”, cavalga a toda velocidade, empunhando a lança contra os gigantes de sua imaginação. Seu escudeiro grita que se tratam de moinhos, mas ele não acredita. Porém, o pobre cavaleiro e seu cavalo Rocinante rolam no chão após o golpe.

As derrotas e a distorção do real vivenciadas por Dom Quixote, criticam até que ponto o ser humano pode viver sua própria realidade diante da que lhe é imposta como “normal” pela sociedade, sendo nocivo ou não à ela. A percepção da existência com desencanto, como a um jogo de máscaras, onde o grotesco está ligado à visão de quem sonha, devaneia. Um outro estado da consciência, sem perspectiva negativa.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CERVANTES, Miguel. AZEVEDO, Visconde de Castilho e. (Trad.). O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha. São Paulo: Nova Cultural, 2002.
SODRÉ, Muniz e PAIVA, Raquel. O império do grotesco. Rio de Janeiro: Mauad, 2002.

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Não sejamos nós, mas Cristo em nós

Escrito por Helga Rackel em Março 18, 2008

Deus Criador

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” Mc 14:38


Oração. A oração é alicerce na vida do crente. O crente que não ora, não tem sede da Palavra, não tem sede de Deus. Vigilância. Vigiar é uma base fundamental para o crente que ora. Orar sem vigiar, vigiar sem orar não funciona. Duas ações interligadas e ao mesmo tempo singulares. Porém, muitos são os que não conhecem essa “receita” infalível contra as tentações. E dos que conhecem, poucos praticam.

Mediante às adversidades da vida, à concupiciência da carne, às tentações do mundo, a ansiedade tem tomado conta da alma humana. E não é à toa que a ansiedade é inimiga da perfeição. É nesse momento que o crente ora e quer agir depois ou age e quer orar depois. Nada. Nada se consegue dessa forma. Sensato e coerente seria orar e agir, mas o agir no agir de Deus. Não entendeu? Deus sonda nossos corações a todo instante, principalmente quando estamos prostrados em oração diante dEle. Nesse momento, o Senhor percebe em meio aos nossos confusos pensamentos o desejo de serví-lO e adorá-lO em espírito e em verdade. Dessa forma, o Pai nos fortifica em nossa fraqueza, ou melhor, fraquezas - pela Sua infinita misericórdia. Assim, conseguimos que nosso espírito sobrevenha à carne, ou seja, que o Espírito Santo controle nossos desejos e anseios.

Procuremos descansar no Senhor. Despertar da acomodação, sair desse sono profundo que nos emplaca e nos deixa inertes. Ter altivez e percepção do Espírito, para que assim a nossa vontade se submeta a de Deus e os nossos sentimentos encontre comunhão com o Senhor. Não confiemos em nós mesmos, em nossa própria força, em nossa “intuição” - a qual posso dizer que é sinônimo de teimosia, “fazer do meu jeito” - porque somos fracos, a carne é fraca. Mas quando depositamos inteiramente a nossa confiança em Jesus, o que era intuição dá lugar à direção, o que era “do meu jeito” da lugar ao “jeito dEle”.

Vigiar, esperar, guardando nossos anseios no Senhor, estando atentos às ciladas. Orar, confiar e viver no caminho do Senhor. Acalme-se. Cuide-se. Espere. Confie. Acorde!

Que a paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo esteja sobre nossas vidas! Amém.

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A dor que punge minh’alma

Escrito por Helga Rackel em Março 18, 2008

A dor que punge minh’alma

É uma dor que despedaça meu ser,

Descontenta meu querer,

Desatina meu sofrer.

A dor que punge minh’alma

É uma dor que omite meu grito,

Oprime meu suspiro,

Orla meu destino.

A dor que punge minh’alma

É uma dor que afaga minha solidão,

Afoga meu coração,

Afasta minha razão.

A dor que punge minh’alma

É uma dor que clama teu amor,

Chama teu esplendor,

Chora teu furor.

A dor que punge minh’alma

É uma dor que sente tua despedida,

Segue tua partida,

Sega tua mentira.

A dor que punge minh’alma

É uma dor que remete tua lembrança,

Remexe tua desconfiança,

Revela tua insegurança.

A dor que punge minh’alma

É uma dor que nos une e nos separa,

Insana e inflamável,

Cretina e incurável.

 31 de janeiro de 2007.

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