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Jornalismo e ética: utopia?

Publicado por Helga Rackel em Março 14, 2008

Segundo Heráclito, filósofo pré-socrático, “a ética é o anjo protetor do ser humano”. Seus princípios universais têm como base o bem, a verdade, a justiça e a liberdade. É a fundamentação da ação humana, alicerçada no usufruto de seus direitos e deveres. O filósofo e teólogo Leonardo Boff, no livro A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana (1997), explica que a ética (do grego: ethos) é verdadeiramente humana quando se é permanente (necessidade de ter moradia) e mutável (estilo com que constrói a moradia, tornando-a sempre habitável). Porém, onde está a ética?

Trantando deste assunto sob a perspectiva do atual jornalismo, percebe-se uma ética “aleijada” e subjugada aos interesses particulares. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, Cap. I/ Art. 2º/ I, diz: a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ ou diretores. Destarte, a informação deve ser divulgada de acordo com a veracidade dos fatos, tendo como compromisso a responsabilidade social e o interesse público. Todavia, não é o que de fato acontece.

No decorrer dos anos, as novas tecnologias têm aprimorado o fazer jornalístico. Web, rádio, tevê, impresso e jornais alternativos se transformam com o intuito de difundir a informação rápida, objetiva e eficaz; alcançando maior parcela da sociedade. Entretanto, a liberdade de expressão é banalizada e a ética, esquecida. O sensacionalismo, a política e os interesses particulares são promissores da nova arte da comunicação jornalística.

Será que a necessidade de uma moradia tem construído um lugar habitável? Leia-se: o “direito à informação” realmente existe e é a favor da sociedade? Se “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, creio que o habitat é moldado conforme as conveniências das camadas elitistas da sociedade, pois estas detêm os meios de comunicação. Cabe aos futuros jornalistas lutarem por um jornalismo democrático, pelo exercício da ética, pelo direito à informação. Pois se notícia é só notícia quando vendável… tunc erit finis.

2 Respostas para “Jornalismo e ética: utopia?”

  1. Sonia Regly disse

    Seu Blog está muito bem estruturado. Gostei muito de vir aqui,têm assuntos diversos e interessantes.O meu ainda é simples, estou caminhando agora.Parabéns!

  2. taynee disse

    Hoje, as palavras jornalismo e ética se tornaram quase antônimos. A pressão por vendas e publicidade é insuportável para o jornalista, que se vê sempre coagido pela “força de mercado” de supostas pesquisas de opinião, descomprometendo-se cada vez mais com a veracidade do fato e o que é realmente importante para a sociedade.

    Adorei seu blog, vou adicionar ao meu…

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