Verblogando

O blog de todos os verbos

Posts de Janeiro, 2008

Devagando

Publicado por Helga Rackel em Janeiro 31, 2008

Brilho da lua

No silêncio da noite, cá estou. Esperar o dia amanhecer ou dormir para esvaecer em sonhos e desejos? Começo a escrever, a me inspirar e deixar fluir as dádivas de ser um ser pensante. Interessante como a solidão pode ser uma opção. Não falo da solidão conseqüente da ausência de uma companhia, mas daquela proporcionada pela calmaria, pela paz que exala das estrelas e se achega ao “eu” incólume. O silêncio instiga a pensar e a noite inspira a organização das idéias. Daí eu me pergunto: quanto vale estar só? Sim, agora vale muito. Nesse momento devaneio as lembranças que assolam meu bem-estar. A lua parece gritar dentro de minh’alma, como se fôssemos um mesmo corpo envolto no universo excêntrico e intrigante de viver o mistério noturno. A alma é forjada em composições sutis e intencionais. Cogito, ergo sum! Assim dizia o filósofo Renée Descartes. Porém, verbalizar em tintas e papéis vai além da significância do existir; transcende a nostalgia do pensar, propaga a importância de se fazer existir. É como o pleno sentido de amar… Pois o amor tem um toque de mágica, cujo sonho não desabita a realidade. Pensar é amar. E a escrita é o exercício desse amor. Para isso vivo, para isso sou. Eu e a lua. O universo e a noite. O silêncio e o mistério. A solidão é o tempero nesse momento…

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Identidade

Publicado por Helga Rackel em Janeiro 31, 2008

Mas ao ímpio diz Deus: Que direito tens de recitar as minhas leis, ou de tomar a minha aliança na tua boca? (Sl 50:16). Examine-se o homem a si mesmo antes de comer deste pão e beber deste cálice. (1 Co 11:28).


Sepulcro caiado. Eis o sinônimo certo para muitos de nós nos dias de hoje. Sabemos que a igreja do Senhor é avaliada pelo Altíssimo a cada instante, mas, ao que parece, não entendemos. Ora, procuramos em diversas vezes observar e praticar santidade; porém, não para nós mesmos, e sim, para os outros. Vejamos… Entenda, estou querendo dizer o seguinte: do que importa esquecer o que sou e fingir o que devo ser? Muitíssimo! É preocupante vivermos só de aparências. Analisemos a “igreja” não como “um todo”, mas como um indivíduo: “eu”. Vós sois o corpo de Cristo, e individualmente, membros desse corpo (1 Co 12:27). Sim, se assim eu sou, por quê assim eu não vivo? Perdemos essa vivência do “eu”, da nossa individualidade perante Deus, quando percebemos mais o outro, o irmão do lado, e/ ou o coletivo, a igreja ao todo. Sentimo-nos “menos falhos” diante de Deus e por isso pregamos, louvamos, aconselhamos aquilo que não vivemos. Há uma persuasão tão bem aplicada de tal forma que convencemo-nos da nossa “capacidade”. É pura humanidade! Nada de unção.

Do que adianta conhecermos a Palavra e não vivermos esta Verdade? O ditado popular passa a ser o provérbio da nossa vida: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. E a situação ainda torna-se pior porque ocultamos o que fazemos. Conseqüência: tornamo-nos um ímpio, pois de nada diferenciamos daqueles que estão lá fora, no mundo do pecado. É verdade que todos nós sabemos sobre a posição do Juiz em relação a essas atitudes perversas e infiéis. Ele não define grau de pecados – pecadinho/ pecado/ pecadão, pois pecado é um só; assim como Ele também não faz acepção de pessoas em relação ao seu amor. Deus ama a todos nós. TODOS! Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3:16). “Senhor, perdoe-me por minhas falhas…”, assim nós oramos. Digamos logo: “Senhor, perdoe-me por meus PECADOS”. O crente tem mania de querer “aliviar a barra”, medo de pronunciar “pecado”, porque achamos que nossos erros são besteirinha comparados aos do mundo. Certo. Tudo bem. Sei que mesmo sendo convertidos em espírito e em verdade ao Senhor Jesus, ainda erramos e que esses erros não podem e nem devem ser como os daqueles que ainda não conheceram a Cristo. Todavia, não significa que não pecamos. Peçamos a renovação todas as manhãs pela misericórdia do Pai. Precisamos disso. Necessitamos de avivamento. Carecemos de humildade. Dependemos do amor de Deus. Tomemos essas verdades como nossas. Passemos a proferir aquilo o qual cremos na nossa vida. Analisemo-nos. Oremos. Reconheçamos nossa miserabilidade. Sejamos uma nova criatura em Cristo Jesus. Busquemos a Deus a todo instante. Ele sim já nos julgou e ainda julga em todo o tempo.

Deixemos o “Jacó” de nossas vidas e sejamos mais do que um “Paulo”, sejamos imagem e semelhança de Cristo. Sejamos Jesus Cristo. Vivamos com Jesus Cristo. Andemos com Jesus Cristo. Que TUDO em nossa vida seja por Ele e pra Ele. Sem Jesus, nada somos. Tenhamos a mente de Cristo (1 Co 2:16). Portanto, busquemos ter em nossa vida a essência do amor de Deus, porque assim seremos retos em seu caminho. Agora permanecem estes três: a fé, a esperança e o amor, mas o maior destes é o amor (1 Co 13:13). Pratique primeiro você, para depois ensinar o outro a praticar. Há uma nova chance. Não perca! A paz do Senhor esteja contigo! Amém.

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A arte de servir a Deus

Publicado por Helga Rackel em Janeiro 29, 2008

 

“Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei.” (Mt 8:19b).

Quão maravilhoso é servir a Deus! Pois o Senhor cuida dos seus, mesmo quando esquecemos. Ora, aquele que decide sinceramente serví-lO em espírito e em verdade, não teme o porvir; mesmo quando o amanhã pareça incerto, porém sabemos que Ele não desiste de nós. Mas o que significa seguir ao Mestre, independente de onde possamos andar? Significa CONFIAR. Quem confia, não teme. Quem ama, confia. Quem tem fé, não teme, mas ama e confia. Percebeu a pronfundide da decisão de entregar tudo nas mãos de Deus e seguí-lO? Quando assim decidimos, não ficamos alheios ao que pode nos acontecer; porque sabemos que quem nos guia é o Mestre dos mestres, o Senhor dos senhores, o Rei dos reis. A Estrela de Davi é quem brilha no nosso caminho. O Leão de Judá é quem nos livra em nosso caminho. O Príncipe da paz é quem nos acompanha em nosso caminho. O Pai é quem nos espera de braços abertos no fim do nosso caminho. “Poranto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo.” (Mt 6:34). “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6:33). Busquemos a Deus, sigamos a Ele e vivamos segundo à Sua benigna e soberana vontade!
Deus nos abençoe! Amém.

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A natureza humana

Publicado por Helga Rackel em Janeiro 25, 2008

Homem Vitruviano
Homem Vitruviano, by Leonardo Da Vinci 

O homem adquire seus meios de sobrevivência a partir do momento em que nasce. Seu corpo, antes adaptado a respirar através do líquido amniótico e alimentar-se pela placenta no ventre materno, (re)aprende uma nova forma para executar esses processos quando é dado à luz deste mundo. Uma (re)adaptação do meio ocorre a partir desse momento, cujo objetivo maior é sobreviver ao novo mundo que apresenta-se aos seus olhos.

Apesar de seus antagonismos, a vida e a morte tornam-se uma só na linha do crescimento humano. As células do corpo humano, não diferente dos outros seres vivos, dão vida ao funcionamento desse corpo. Estudadas pelas ciências químicas e biológicas, conclui-se que suas “validades” são temporárias, curtas o suficiente para serem substituídas. Dessa forma, o homem já “nasce morrendo”, ou seja, é o dom do envelhecimento.

Para suprir suas necessidades e transpor seus limites, o homem sofre metamorfoses, as quais não deixam de serem mortes, para sua (re)leitura da vida, ou melhor, das vidas que vão se interligando conforme às mudanças exteriores da sua socialização consigo e com o outro. Seja qualquer situação que exija mudança ou morte, sua alma envolve-se com o medo e o temor das surpresas, do (in)esperado. Tais sentimentos permitem-nos questionar os por quês de suas existências involuntárias imputadas ao nosso ser.

O ingresso na primeira escola; as primeiras e sucessivas quedas, da bicicleta até a vida econômica; os primeiros amores (amar nunca deixa de ser uma sensação de primícia no coração enamorado) até os inevitáveis e qualquer tipo de foras; as decepções; as inovações; a perda de um ente querido ou de um amigo; mudança de endereço, de emprego etc. Qualquer mudança gera a morte de algo para dar vida a outra “coisa” até então desconhecida, metamorfoseando a vítima desse turbilhão chamado desenvolvimento.

As evoluções sociológicas do homo sapiens fazem analogia aos conceitos biológicos da evolução darwinista. Por precisar adaptar-se ao meio em que vive, o homem transforma-se constantemente. Morrer e mudar tornam-se sinônimos nessa situação. A capacidade de integrar-se e reintegrar-se intermitam no convívio individual e coletivo da humanidade. Porém, há duas faces nessa história: o sucesso e o fracasso. Sucesso em alcançar o objetivo de ser aceito. Fracasso em perder a si mesmo. Estudos da psicologia comprovam que o homem usa “máscaras” que são colocadas, tiradas, recolocadas e retiradas conforme o necessário, proporcionando a aceitação predisposta pelas facetas da(s) personalidade(s) do indivíduo.

Entretanto, a pobreza de espírito é um canal para esses distúrbios. Mudar para agradar a outrem, deixar de “ser” para ser aceito, temer a morte seja qual for sua forma, não querer morrer por não ter certeza da vida são ventos os quais balançam e derrubam a casa que não tem alicerce. Essa base essencial para segurança de qualquer construção é o que tem faltado no cotidiano espiritual, familiar, pessoal, profissional e social do ser humano. Exatamente nessa ordem. O homem já nasce com um vazio, tentando a todo custo preenchê-lo. Por essa fraqueza, habilita-se a ter multifaces, não sabendo distinguir liberdade de libertinagem, livre arbítrio de escolhas. Limita-se ao seu ego, de forma que o amor próprio torna-se egoísta e não, altruísta. Vitimado pela fragilidade psíquica e/ ou emocional, formamos muralhas em nossa volta, deixando-nos inerentes à realidade que nos rodeia, enxergando apenas “um palmo a frente do nosso nariz”. Assim, a morte que poderia ser um alívio, transforma-se no medo do desconhecido. A vida em volta de si mesma passa a percorrer no alto da muralha, tentando enxergar alguém que possa ajudar a dar sentido a essa vida dantes banida. Transformar e ser transformado para melhorar são iniciativas e condutas pouco realizadas em nossos dias. A aceleração do desenvolvimento tecnológico e científico tem vitimado o homem ao materialismo capitalista. Como dizia Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”. Buscando nossa comodidade, trazemos nossa destruição; querendo paz, formamos guerra.

Por outro lado, o exercício da metamorfose pode trazer-nos benefícios quando as ferramentas são bem usadas. Mudar para melhorar. Morrer para dar vida. A natureza humana é tendenciosa para o mal, porém, quando reconhecemos essa fraqueza, tornamo-nos humildes o suficiente para adquirirmos uma nova vida, “amando ao próximo como a nós mesmos e a Deus sobre todas as coisas”, como diz a Bíblia, a bússola do Cristianismo. O desligamento profundo e completo do material é a ascensão do nosso espírito, importando “ser” do que “ter”. Lutar para plantar o bem sem temer o futuro da colheita.

A vida sem a morte seria um caos. Precisamos compreender o lado positivo da morte, associá-la como passaporte da nova vida (vida eterna) e não, como o fim de tudo. A partir do momento que aprendemos a viver, não tememos morrer. Pois aquele sentimento de que algo ainda falta por fazer, passa a não existir quando sabemos viver a vida que o Autor nos concedeu. O sentimento de inacabado não perdura contra o tempo, simplesmente inexiste em nosso pensamento.

Texto baseado na leitura dos livros As intermitências da morte (José Saramago) e A metamorfose (Franz Kafka).

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Viver

Publicado por Helga Rackel em Janeiro 23, 2008

Viver sem parar no presente
sem deter-me ao passado
sem temer o futuro…
Viver a vida para viver.

Viver não sendo intermitente
não sendo culpado
não sendo imaturo…
Viver a vida para crescer.

Viver crendo na Justiça
conhecendo o Criador
buscando a Paz…
Viver a vida para crer.

Viver planejando sem cobiça
amando o Redentor
além do que me apraz…
Viver a vida para ser.

Viver para morrer ou morrer para viver?
Viver para sonhar ou sonhar para viver?
Viver para amar ou amar para viver?
Viver para ser salvo ou ser salvo para viver?

Viver…
Viver uma vida com propósitos!

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Duo Amore

Publicado por Helga Rackel em Janeiro 21, 2008

Seu amor, mais forte do que a morte, sufocava-o. Não sabia como expressá-lo. Um gesto, um beijo, um abraço, uma frase não seriam o suficiente para provar um sentimento tão puro. Cabisbaixo, olhar melancólico, sorriso enturvado, João matutava ao vento, sentado na cadeira de balanço – herança da avó. O vermelho-escarlate da “ditosa cadeira dos pensares” se assemelhava ao rubor do coração temeroso do rapaz. Casara-se novo com a jovem Madalena, carinhosamente chamada de Mada pelos íntimos. Cabelos longos e olhos maliciosos aliados à voz mansa da “caçula do pai”, chamaram a atenção do rapaz em meio aos vizinhos que dançavam o Baião Porreta do Zé, ícone das feirinhas de troca-troca do bairro José Walter. Há 2 anos, a jornada sentimental do pacato João iniciara num simples olhar pedinte de sua amada Madalena. Como relembrar o passado sem se preocupar com o futuro?

No dia anterior à sina, o jovem marido vai à feira comprar as “prediletas” da esposa: maçãs. Sua preferência era pela mais vermelha. Atento ao gosto da querida, o rapaz escolhe cada maçã com cuidado, imaginando a cena em que os lábios corados e carnudos da moça tocariam a fruta. Ele estremece ao sentir a chama do amor verdadeiro acesa em seu coração. Após pagar o feirante, João passeia os olhos pelo que acontece ao seu redor, contemplando cada rosto presente naquela feira tão movimentada; lembrando de quando ele e Madalena faziam sua primeira feira, o dia em que ela confessou seu gosto pelas “prediletas”. Já é noite. Mada, mesmo cansada, ao chegar em casa e encontrar seu marido à espera, deitado sobre a cama coberta com lençol de cetim branco, ladeado pelas maçãs bem vermelhas e fresquinhas, não resiste ao pedido ardente e ingênuo de seu marido. Permite ser amada.

Pétalas

        Manhã de segunda-feira, o dia da sina. Feliz por mais uma noite de carícias e juras ao lado de sua querida e amada esposa, João acorda disposto a fazer uma prova de amor, mas ainda não sabe como. Deixa-a dormindo, sai devagarzinho até o banheiro, toma banho e se arruma para sair mais uma vez à procura de um emprego. O dia começou bem: o rapaz consegue a vaga de segurança de uma transportadora. Há meses, ele aguardava essa oportunidade. Reservando a novidade para mais tarde, momento em que poderá encontrar Mada em casa, João chega à garagem dos transportes da empresa, onde fica também o escritório de seu chefe. Já estava com tudo pronto. Porém faltava apenas agradecer a oportunidade àquele que lhe ajudou. Enquanto isso, conferia seus objetos de trabalho: o porrete, a arma preta com detalhes em cinza e o cartucho de balas. Temeroso por tocar uma arma de fogo pela primeira vez, ele tinha seus olhos fitos no calibre 38. Mistura de medo e poder. Após alguns minutos de espera, o novo empregado apresenta-se ao chefe e lhe agradece pela confiança e presteza.

Ricardo conheceu Madalena no dia em que a cadeira de balanço quebrou. Morando no mesmo bairro, ele costumava passar todos os dias de manhã em frente à casa do casal, a caminho do trabalho. Certa vez, como de costume, ao passar na calçada da casa de muro e paredes brancos com portas e janelas vermelhas, o chefe de transportes e segurança da Empresa Bene Dito presencia a cena em que a amada de João, ao sentar, vira a cadeira de balanço e cai. Imediatamente, o vizinho oferece ajuda e percebe que a borracha de uma das pernas da cadeira vermelho-escarlate estava solta – o que provocou a queda. Logo o jovem marido ficou sabendo do acontecido, convidou o vizinho para tomar um cafezinho em agradecimento. João, ajudante de pedreiro na época, passava a maior parte do tempo fora de casa; mas era atento a cuidar de Madalena. Pela amizade, a querida esposa torna-se acompanhante da mãe de Ricardo. Assim, unia o útil ao agradável: passara a ter uma rotina diferente ao mesmo tempo em que praticava o dever de uma boa cristã em ajudar o próximo.

Ansioso para encontrar a amada, João despede-se do novo chefe e corre para pegar o ônibus das 12h45min. Na metade do caminho, percebe que esqueceu a boina da farda no escritório. Volta depressa, torcendo para que dê tempo de apanhar o coletivo, e depara-se com Mada recebendo um beijo de Ricardo. Naquele horário, a garagem da transportadora era muito movimentada. O jovem marido não tinha certeza do que via. Então aproximou-se sem que o casal de amantes percebessem, flagrando o mesmo olhar pedinte de Madalena, recordação do dia em que se conheceram, direcionados a seu chefe e vizinho. Deveria se vingar ou esquecer e contemplar a amada com seu perdão remissor, dando-lhe uma prova de amor a qual instigasse o arrependimento no seu coração? Em poucos segundos, João decide fazer as duas coisas. Saca a arma, atira em Ricardo e, logo depois, comete suicídio. Dois corpos inertes e uma mulher. A prova de amor cumprida.

E todos ali presentes, funcionários e transeuntes que viam a cena do lado de fora, não sabiam se Madalena chorava pelo amante ferido ou pela morte do marido.

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Esta é minha língua: Português do Brasil

Publicado por Helga Rackel em Janeiro 21, 2008

Língua Portuguesa, palavras dos meus encantos.
Nascida em terras lusitanas, aperfeiçoada em ventres brasileiros.
Cultuada por poucos, desprezada por muitos.
Esta é minha língua: Português do Brasil.Brasil & Portugal

Língua Portuguesa, sílabas das minhas intempéries.
Conquista para os homens, devaneio para as mulheres.
Pronta em formalidades, poética em prazeres.
Astuta em vontades, maliciosa em quereres.
Esta é minha língua: Português do Brasil.

Língua Portuguesa, consoantes dos meus sonhos.
Descoberta dos entendidos, segredo dos estranhos.
Absorta nos pensamentos, contagiante nos arranhos.
Esta é minha língua: Português do Brasil.

Língua Portuguesa, vogais das minhas realidades.
Forjada nas aventuras, cantada nas verdades.
Amor e paixão, riqueza e mediocridades.
Renhida nas virtudes, diversa nas igualdades.
Esta é minha língua: Português do Brasil.

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Somos nordestinos, somos brasileiros

Publicado por Helga Rackel em Janeiro 21, 2008

 

Trio nordestino O Nordeste é conhecido pelo verão da seca e da praia. Visto como a caatinga dos brasileiros e o balneário dos estrangeiros, a região nordestina carrega consigo o estigma de um povo sofrido de fome e de peste, raquítico de corpo e de mente. Apesar de suas belezas e de sua gente, em meio a esse paradoxo de estereótipos, infelizmente o que impera é o mal entendido transmitido por esses pré-conceitos definidos pela nação brasileira e, muitas vezes, pelo próprio nordestino.

Entretanto, castigar a imagem de uma terra tão rica em culturas não prejudica só o turismo, como muitos relacionam apenas a este setor, mas à auto-estima do seu povo também. O nordestino é como o restante do Brasil, ou seja, brasileiro por excelência. Possui suas mazelas, porém não perde suas belezas. Como todo o país, tem suas dificuldades e seus progressos.

As regiões se caracterizam por suas peculiaridades naturais, sociais, econômicas e culturais, todavia estão inseridas no contexto nacional: cada uma tem um pouco da outra. Há nordestino morando no Sul, sudestino no Norte etc. Gente que nasceu num lugar, mas cresceu em outro. Sangue cearense, porém cultura gaúcha – por exemplo. Por que criar estereótipos, então?

A alegria do nordestino não é piada para turista rir. A cultura de nossa gente não é artesanato para exportar. A comida do nordeste não é farofa com carne e baião-de-dois. Ser cearense não é ser “cabra-da-peste”. Nascer e viver no nordeste brasileiro é muito mais do que características simplórias e “coisificadas”; é orgulhar-se do passado, trabalhar o presente e acreditar no futuro. Nordestino é da serra, da praia, do sertão, do Brasil. Não só trabalha como estuda. Tem sofisticação e simplicidade. Permeia entre o bem e o mal de viver sem perder sua identidade.

Precisamos ter um novo olhar sobre o Nordeste, sem piedade ou soberba. Uma visão perspicaz de seu desenvolvimento e diversificação de culturas, não apenas como praia para os turistas ou sertão para os brasileiros. Enxergar o celeiro de artistas, doutores e literários que há. Analisar a pobreza, o analfabetismo e a seca; não como característica do Nordeste e sim, como problema do Brasil. Perceber na região a possibilidade de lançar mão dos preconceitos e acreditar que todos nós somos nordestinos, somos brasileiros.

 

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