Verblogando

O blog de todos os verbos

“Aperreio”

Escrito por Helga Rackel em Maio 2, 2008

Transporte coletivo

Ser usuário de ônibus é uma ginástica. Um exercício obrigatório de sobrevivência. Fortaleza tem se desenvolvido como as demais capitais, expandindo seus horizontes urbanos. Não é mais tranqüila como nos tempos de meus avós – assim eles contavam. Com o progresso capitalista, novas tecnologias são inseridas no contingente social. Carros de luxo e carros populares, motos, bicicletas, ônibus e topics… Todos fazem parte do dia-a-dia fortalezense. Há aqueles que preferem economizar, deixando seu automóvel na garagem. Outros optam em dirigir do que “ser dirigido”. Ônibus não é veículo para covardes. O transporte coletivo está para os cidadãos, assim como o obstáculo está para os atletas! O trânsito de nossa querida capital ensolarada não favorece ao trabalhador que acorda cedo para não atrasar, muito menos ao estudante que chega tarde da noite em casa, depois de horas de aulas. Ou seja, o desenvolvimento humano parece que não é bem vindo aqui.

Passando por condições subumanas, passageiros entram e saem de coletivos ou topics feitos “sardinhas”. Agüentam pisadas, empurrões e palavrões dos mal-humorados companheiros de viagem, como do motorista ou do trocador. Estes, sempre aborrecidos quando estão atrasados. Certo. Mas onde fica o controle de tráfego da nossa “Fortaleza Bela”? Trajetos que se tornam estressantes dentro e fora do veículo são comuns na rotina urbana. Exemplos: motoqueiros que ultrapassam os carros, fazendo zig-zags mortais para driblar o tempo e o espaço; ciclistas enfrentando as mesmas vias dos automóveis; pedestres correndo fora da faixa de trânsito etc. Assim, a vida urbana acelera toda hora, sem tempo para descansar.

Trafegando nas vias públicas, percebemos o quanto é perceptível a carência de reformas no trânsito da capital cearense. Ser estudante e assalariada tem me proporcionado grandes emoções no itinerário casa-trabalho-casa-faculdade-casa, sempre passando pelo terminal. Passar minutos preciosos na fila à espera do ônibus, ser quase esmagada ao subir, sufocada ao passar todo o trajeto em pé. Tanto sacrifício porque não há carros suficientes para a mesma linha nas horas de pico. Vai-vem dentro e fora. Agonia e alívio. Onde está a política pública nesses momentos de tensão dos fortalezenses? Nenhum ser humano mercê ser tão humilhado ao sair de casa. Somos nós que movimentamos a máquina capitalista do consumo e das repartições públicas. Para cumprir com nossos deveres de cidadãos, não usufruímos nossos direitos. Há uma crescente e gritante necessidade de mudanças em nossa sociedade, a começar pelo trânsito infernal que mata e aleija pessoas comuns. Estas que não têm condições de esperar no carro, ouvindo música sob o clima fresco do ar-condicionado.

*Imagem: Diário do Nordeste.

Enviado em Crônicas | Tagged: , , , , , , , , , , , , , , , | 6 Comentários »

Ao mestre

Escrito por Helga Rackel em Abril 26, 2008

Homem de garra, destemido, idealizador…Presidente do Jornal O POVO
Dr. Demócrito sonhava e conseguia nos embalar neste sonho.
Alçava vôo mais alto do que pudéssemos imaginar.
Envolto de humildade e sabedoria, virtudes bem presentes ao longo desses anos dedicados ao jornal, nos revelava as nuances de um homem que tinha esperança, que acreditava nos valores da vida.
Presente, mesmo quando ausente…
Cada detalhe do Jornal O POVO faz referência ao nome Demócrito Dummar. Sua altivez não ofuscava seu altruísmo. Detentor de uma presença marcante, não fazia esforço para anunciar sua chegada. Era visto com respeito e admiração por todos aqueles que tinham o privilégio de cruzar seu caminho. A postura do “homem feito” não apagava o sorriso do menino aprendiz. Sorriso singelo, gestos delicados, uma certa timidez pincelavam seus passos no caminho da justiça, da verdade e do amor.
Não perdemos nosso presidente.
O sopro da vida pode ter cessado neste momento, mas as lembranças que a própria vida desenha em nossa mente é a prova de que a eternidade começa em cada cifra composta na música do viver, a partitura escrita por uma vida com propósitos.
Dr. Demócrito, nosso mestre, nosso exemplo.

Homenagem dos Populares ao homem que provou através da comunicação, o poder de informar e transformar com amor.


*Escrito por Helga Rackel, funcionária há 7 anos do Jornal O POVO, em 26 de abril de 2008.
(O POPULARES é o departamento de classificados do O POVO).

**Texto publicado (dia 03 de maio) no Jornal do Leitor, suplemento do Jornal O POVO com veiculação aos sábados.

Saiba mais sobre o presidente do grupo de comunicação O POVO:
Demócrito Rocha Dummar

Enviado em Crônicas | Tagged: , , , , , , , | 2 Comentários »

Porque somos o que somos…

Escrito por Helga Rackel em Abril 24, 2008

Cotidiano

Nada mais, nada menos do que seres humanos. Humanos em sua obscuridade e imperfeição de ser. Homo sapiens suplantados ao querer e ao poder. Visão pessimista e utópica da legitimidade que pode existir no nada. Cético em seu refúgio e saber, intérprete do ontem e vidente do porvir (perdoe-me pela redundância!). Esse é o típico da ideologia antropocêntrica. O homem como o centro de todas as questões e respostas. Há solução para o egocentrismo humanitário? Será o homem um produto do acaso, resultado de um barulho explosivo ecoado do nada universal, o chamado Big Ban? Bum! O nada pari o tudo e isso é indiscutível? Hahahahahaha!!!!!! Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha? Esta pergunta, deixo para você responder. Mas a anterior, deixa que eu lhe respondo.

Para algo ter coerência e coesão, é necessário planejar e traçar de forma que sua estrutura seja previamente detalhada.  Ou, o tiro sai pela culatra! Não dá para acertar se não temos um alvo para isso. É como jogar o nada no nada. Resultado: caminhar sem direção. Dá pra chegar a algum lugar assim? Claro que não! Seria, então, o homem um produto acidental? Como seria, se ele tem o livre-arbítrio de escolha em fazer o certo ou o errado? Ambos não surgem por acaso, mas por uma escolha. Então, o ser humano não surge do nada, mas de uma supremacia existencial: o Criador. Se existe a criatura, concluímos que há um criador.

O homem não provém de um acidente ou incidente divino, mas de uma providência exata e perfeita do Ser, o qual se chama Deus. O Todo-poderoso não joga roleta russa, pois trabalha minuciosamente e precisamente na criação, assim como um oleiro em seu vaso. Tudo estudado, soado, planejado nos mínimos detalhes. Daí você pergunta: “Por que então existem tantos problemas gerados pela imperfeição humana?” Ora, se Deus em sua perfeição criasse seres perfeitos, a criatura precisaria de seu Criador? Com certeza, não. Deus não é um ditador divino. É Pai. Criou o homem para ser seu filho por adoção. Por isso o fez imperfeito. O filho precisa do pai. Conseqüentemente, o homem não esqueceria de Deus, mas necessitaria dele como pai, conselheiro e amigo. É assim que Ele desejou e ainda anseia: que o homem dependa dele como pessoa, como alguém muito importante; não como uma marionete ou um fantoche coordenado por sua vontade.

Mar e céu Podemos afirmar que o homem sem Deus é justamente aquele cuja descrição se encontra no início deste texto. Agora, o ser humano que reconhece sua paternidade celestial, vive o primeiro amor - soberano, inigualável e verdadeiro – e se descreve de outra forma. Ou seja, ele é manso, bondoso, paciente, amoroso, humilde. Seu pensamento não é egoísta, pois se preocupa com o próximo. Não tem interesses próprios e convenientes para si, mas desenvolve um coração puro, cujo amor não faz acepção de pessoas.

Ser guiado por Deus é uma escolha feita justamente por se ter o livre-arbítrio. Estar sob a bondosa e justa vontade do Pai é viver desprendido do consumismo ofertado pela globalização, a qual favorecida pelo capitalismo exacerbado, transforma o homem num produto fútil e barato. Essa é a realidade do mundo, acompanhada pela modernidade e pelos avanços tecnológicos e científicos dos quais o ser humano acredita descobrir sua potência, independente da sabedoria divina, baseado em sua autoconfiança … Dominâncias cujos preceitos fogem dos propósitos dedicados por Deus à nossa vida.

O Senhor nos prometeu bênçãos, mas não disse que receberíamos sem lutas. Ele confirmou as dores, porém não disse que sofreríamos sozinhos. A diferença de passarmos por dúvidas, aflições, tristezas, doenças, soluções, vitórias, alegrias e saúde - quando estamos com o Senhor - é simplesmente a certeza e a vivência de que Ele está ao nosso lado e muitas vezes carrega os nossos fardos tão pesados e sacrificantes. Tudo isso porque Ele mesmo venceu!

Como pode um diamante tornar-se formoso e escultural se não for lapidado? Como pode um vaso tornar-se mais belo e raro se quando rachado ou quebrado não for refeito sem remendos? Como uma borboleta tão linda e especial pode chegar a este estágio sem antes ter sido uma lagarta feia e gosmenta? Como pode o céu enfeitar-se com o magnífico e estreante colorido de um arco-íris sem antes o surpreendente quadro nublado e frio de uma tempestade ter-nos visitado? Essas e outras situações verídicas e freqüentes em nosso viver terreno nos prova como é preciso estarmos feios para entendermos a beleza, ficarmos tristes para compreender a alegria, perdermos algo para valorizarmos o que ganhamos. Não há vitórias sem lutas. Não há manhã sem antes ter anoitecido.Grand Teton National Park

Não há criatura sem antes o Criador.

Não há propósitos sem antes uma vida.

Não há vida sem antes vivê-la.

Não há dia sem o sol.

Não há noite sem a lua.

Não há obra sem um Autor.

Porque viver sem Aquele que criou a vida fará de nós pessoas capazes, felizes, amantes e vencedoras se não há quem melhor entenda a música do que seu compositor?

Viver é como dançar, cantar e sentir uma música. Por que não deixar o Compositor nos ensinar os compassos dessa partitura?

Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto. Jeremias 17: 7, 8 – Bíblia.

A vida é um combate, que os fracos abate, que os fortes e os bravos só quer exaltar. Leonardo Boff - A águia e a galinha.

*Imagens: site Getty Images - Nicholas Eveleigh, Raymond Patrick, Ron & Patty Thomas.

Enviado em Cristianismo, Filosofia | Tagged: , , , , , , , , , , | 1 Comentário »

Quem são os filósofos?

Escrito por Helga Rackel em Abril 22, 2008

Texto baseado no capítulo segundo, O Espírito Livre, do livro Além do Bem e do Mal, de Friedrich Nietzsche.

O homem vive em busca da “verdade”. E quando a encontra, ou melhor, pensa que a encontrou, pára no tempo e no espaço. Vive numa constante indolência, permeando entre o real e a ficção; bobeando o conhecimento, satirizando a intelectualidade. Em meio a essas nuances da vida medíocre do homo sapiens, encontram-se aqueles que se “sacrificam pela verdade”, corrompendo a si mesmo. Segundo Friedrich Nietzsche, “todo homem seleto procura instintivamente seu castelo e seu retiro”, salvando-se da multidão. Para ele, é necessário esquecer a regra e ser exceção. E se for preciso uma companhia, que seja de um igual.

O que remete à maioria é grotesco e ignóbio. Porém, para um estudo sério, o filósofo deve passar pelo sacrifício de acompanhar as almas vulgares e conhecer os pensamentos dos cínicos, cuja sensibilidade e indignação felicitarão o homem superior ao fascínio e ao nojo. O Espírito Livre é um desabafo irônico sobre a falta de presto do alemão, a incompreensão do pensamento livre, o animalismo dos fracos, a fortaleza dos filósofos e amantes da filosofia, o prelúdio a uma filosofia do futuro. O filósofo não é aquele que estuda ou escreve filosofia do futuro. O filósofo não é aquele que estuda ou escreve filosofia, mas quem é independente sem obrigação, quem fala a verdade sem intimar sua verdade. Ele é livre e permite o outro ser livre.

O filósofo sabe não ser escravo da liberdade. Para alcançar a compreensão, ou melhor, conseguir compreender, o homem deve passar pela transição do castigo de si mesmo. Dilacerar os sentimentos, duvidar dos pensamentos, suspeitar da própria consciência são prerrogativas que fazem parte dessa transição, do processo de evolução do conhecimento. O homem sai do estágio primitivo da moral, cujo valor de uma ação parte de sua intenção, para a superação dessa moral; onde o valor decisivo de uma ação é não-intencional, é “extramoral”.

Os “imoralistas”, como o próprio Nietzsche, acreditam que é preciso fazer interpretação não apenas da superfície, mas também do que está por trás dela; que deve-se desconfiar, libertar-se da compaixão e aprender com a solidão. O filósofo tem o direito de ser mau-caráter, malicioso e desconfiado do enganar e do ser enganado. Buscar a verdade não é fazer o bem. É ter vontade e vontade de poder. Analisar o “caráter inteligível” através dos efeitos da atuação da vontade sobre a vontade, não do material, permite a ascenção da interperpretação sobre o texto.

De acordo com Friedrich, o filósofo independente não é como o idealista que se entusiasma com o pouco, quando este basta ser bom e belo. O espírito independente não teme o mal, muito menos os perigos da vida, deste jogo cheio de provas e agonias. O filósofo de espírito livre usa máscaras mesmo quando pensa que não as têm. Para ele, o pudor é criativo. Ser criativo é fazer prova de si mesmo e não fugir das provas. Porém, sabendo se preservar, porque esta é a mais dura prova da independência.

Em seu texto, Nietzsche insinua que os filósofos do futuro poderiam ser chamados de tentadores. Seriam novos amigos da verdade, diferentes dos amantes da verdade naquele tempo. Todavia, sua verdade seria apenas “sua verdade” e não, uma verdade dogmática, uma causa da multidão. “Seu ‘conhecer’ é criar, seu criar é legislar, sua vontade de verdade é – vontade de poder”. Contudo, o livre-arbítrio é um meio para realizar a liberdade, e um meio ambíguo. Bem empregado, liberta; mal empregado, escraviza. A tirania do vício é a perda da liberdade. E o vício, a cegueira do homem médio e o objeto de estudo do homem superior. Quem são os filósofos?


* NIETZSCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Enviado em Filosofia | Tagged: , , , , , | Nenhum comentário »

Sabedoria e habilidade na arte de guerrear

Escrito por Helga Rackel em Abril 20, 2008

O último samurai

Em seu livro A arte da guerra, Sun Tzu aborda a importância de saber guerrear em diversas batalhas, conforme sua necessidade e especificidade, tendo como princípio a vitória sobre o inimigo numa luta sem armas; com o vencer antes mesmo de guerrear. Caso haja a necessidade de lutar, ele apresenta as ferramentas para ser vencedor nessa batalha. Paciência e perseverança são virtudes analisadas como essências de um general sábio e habilidoso. Não basta apenas ser inteligente, mas compreender, conhecer a si mesmo e ao inimigo para ser vitorioso. Como também, conviver com seus soldados, participar junto a eles, valorizar a capacidade de cada um, adquirindo confiança e lealdade dos mesmos. O bom general sabe que não é preciso só lutar para vencer, mas vencer manobrando prudentemente as forças que vêm sobre ele, sejam elas de ordem superior ou inferior a ele mesmo. Toda caminhada tem seu bom e mau tempo, suas flores e seus espinhos, a luz e as trevas, o visível e o invisível para ensinar e aperfeiçoar, projetar e determinar os passos do caminhante. O forte não se abstém diante dos obstáculos, nem desanima quando enfrenta seu inimigo. Todavia, é prudente em suas escolhas, sábio em suas táticas, habilidoso em suas manobras. É preciso ter sensibilidade, perspicácia em saber qual o momento propício para embainhar e desembainhar sua espada, obedecer e não obedecer às ordens sem faltar-lhe o respeito. Manobrar as forças superiores, assim como as inferiores, significa ter agilidade e destreza com o que é preciso ser feito através de suas experiências em batalhas, sem temer o resultado, na certeza do que é certo a fazer. O ato de recuar não é sinônimo de covardia, assim como o de avançar não seja o de fortaleza. A arte da guerra vai além do impulso físico, sobretudo o raciocínio deve emergir a cautela e espreitar o provável e o improvável, antes mesmo que estes aconteçam. A liderança autocrática deve dar lugar à liderança servidora, pois só assim a autoridade sobrepujará o poder. Antes de organizar um combate, é necessário harmonizar os combatentes. E isso, dependerá somente do seu general.

O último samurai

Cenas do filme "O Último Samurai"

* TZU, Sun. A arte da guerra. 15ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1995.

Enviado em Filosofia | Tagged: , , , | 3 Comentários »

A alienação sob a sombra da religião e do Estado

Escrito por Helga Rackel em Abril 15, 2008

Paper sobre o livro Deus e o Estado, do filósofo Mikhail Bakunin.

O desenvolvimento humano caracteriza-se pelos processos da animalidade humana, do pensamento e da revolta. Onde, segundo o autor, “À primeira corresponde propriamente a economia social e privada; à segunda, a ciência; à terceira, a liberdade.” Tais características realizam-se de forma alienada sob a sombra da religião e do Estado na sociedade, cuja liberdade é alcançada quando a revolta cumina ante o processo sistemático e programado pela centralização do poder nas mãos da minoria. Bakunin analisa a crença em Deus como uma fuga do ser humano diante da perspectiva de pobreza e abandono social. Como forma de construir um “herói” para salva-lo de seus fracassos, o homem imagina um ser puramente perfeito, todo-poderoso e cheio de bondade, cuja função é controlar os males na terra e amontoar os bens no céu. O Estado, como corpo forte e eleito, posiciona-se diante de Deus e do homem como um canal de comunicação, escolhido pelo soberano e inspirado por ele, para induzir os passos da sociedade no caminho da história controlada por eles. Para o filósofo, “Proclamar como divino tudo o que se encontra de grande, de justo, de real, de belo, na humanidade, é reconhecer implicitamente que a humanidade, por si própria, teria sido incapaz de produzi-lo”, condicionando sua existência histórica a crenças disseminadas e compreendidas pela ignorância idealista das classes baixas. A ciência é uma fonte de descobertas dos fatos e uma luz para compreensão desses fatos. Entretanto, ao adquirir mais conhecimento e desenvolvimento, os cientistas têm absolvido tais descobertas e retido o direito do povo de participar e dar-se a conhecer novos horizontes de sobrevivência. Diante da pobreza e da descentralização do poder condicionadas pelo Estado e a Igreja, o povo tem sido vítima das lástimas da miséria e da ignorância do saber, sujeitando-se a caminhar para trás diante do que poderia ser evolução. Os idealistas e os materialistas têm proclamado seus propósitos, todavia, tais declarações não despertam a sociedade à revolta contra Deus e o Estado. Os interesses egoístas e soberbos da Igreja impedem a democratização da condição humana perante a liderança do Estado, pois este, sabendo do apego do ser humano ao abstrato, não proclama justiça e participação de todos, mas subestima a capacidade de pensar e agir da sociedade subjugada à prisão aparente da falta de ser e fazer. O homem tende a acomodar-se quando aceita o pouco, sem questionar e perceber que poderia e tem condições de conseguir mais. A liberdade não seria a libertação do espírito de seu corpo, mas a percepção e ação de revoltar-se contra a opressão imputada pelo sistema e seus inspiradores. Mikhail Bakunin considera o Cristianismo o absurdo emergido do proletariado antigo e atual. Tal ideologia seria a base da desordem capitalista para omitir o conhecimento à humanidade. O controle do Estado, a imponência da Igreja como representante de Deus na terra, a soberba da Ciência mediante as necessidades do povo levantam-se como barreiras capazes de sufocar àqueles que não se permitirem a saírem de sua zona de conforto e lutar pelo ideal humanitário, solidário do direito de ser e fazer conforme suas necessidades coletivas e individuais de desenvolvimento humano. Este não depende da arte, da cultura, da política, da economia, da religião ou da ciência, mas da negação do abstrato e a legitimação da busca do real mediante a cura da cegueira universal. Apesar de não terminar seu livro, o autor possibilita-nos a compreender seus objetivos e alcançá-los se acreditarmos em nós mesmos.

Enviado em Filosofia | Tagged: , , , , , , | 2 Comentários »

SEGURANÇA

Escrito por Helga Rackel em Abril 8, 2008

VIOLÊNCIA IMPULSIONA CRESCIMENTO DE SEGURANÇA PRIVADA

Com o aumento da taxa de criminalidade e violência, serviços de proteção privada ganham espaço no atual cenário urbano. A situação reflete descrédito na segurança pública e promove a difusão do trabalho informal no setor

Helga Rackel
Estudante de Jornalismo

          Segundo informações do Departamento de Polícia Federal (DPF), em 2005 havia, oficialmente cadastrados, 1.280.147 vigilantes, 1.727 empresas de vigilância, 1.308 empresas de segurança orgânica e 305 empresas de transportes de valores atuando em todo País. No artigo Crime e Segurança Privada, o sociólogo Luiz Fábio Silva Paiva, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV/ UFC) e do Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão: Gestão Pública e Desenvolvimento Urbano da Universidade Estadual do Ceará (GPDU/ UECE), afirma que a organização da vida em sociedade tem sofrido mudanças significativas, mobilizadas pela crescente difusão de violência e crimes no contexto social. Segundo Paiva, esses fatores motivam a adoção de metodologias de proteção privada, refletindo certo descrédito na capacidade dos serviços públicos de segurança em garantir proteção aos cidadãos.

          No Brasil, de acordo com resultados da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) referentes ao ano de 2005, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a receita operacional líquida dos serviços de investigação, segurança, vigilância e transporte de valores, que era de R$ 5,1 bilhões em 2000, cresceu 92,68% em cinco anos. Já o número de empresas no setor cresceu 29,05%; e o pessoal ocupado: 27,73%. Embora não haja uma estatística oficial, estima-se que exista um número bem maior de pessoas trabalhando no setor informal dos serviços de segurança privada, principalmente nas periferias das cidades, onde crescem as demandas e ofertas por serviços de vigilância de rua.

FOTO HELGA RACKEL

         O crescimento das empresas de segurança surge na proporção em que a violência e a criminalidade aumentam. Em entrevista por e-mail, Ingrid Macedo, diretora comercial e marketing da Corpvs Segurança e Transportes de Valores, diz que “o medo da violência é um dos principais fatores que contribuem para o serviço de vigilância privada crescer no Ceará”. Conforme estatísticas da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no Ceará, em 2006, foram registrados 19,06 ocorrências por homicídio doloso; 136,92 por lesão corporal; 1,46 por mulheres vítimas de crime com morte (com exceção de crimes culposos no trânsito). Já em 2007, o total de roubos (pessoa e veículo) foi de 334,55 e carros furtados: 161,75. Dados do IBGE, calculados por taxa de 100 mil habitantes.

          De acordo com o Sistema Nacional de Segurança e Vigilância Privada (SISVIP), o Ceará tem 91 empresas de segurança privada e orgânica cadastradas. O diretor de esporte e cultura do Sindicato dos Vigilantes do Ceará, Francisco Aneci Araújo Rodrigues, revela que na capital há 6.000 vigilantes trabalhando e no interior, 5.000. “A cada ano, aumentam 1.000 vigilantes trabalhando em todo o Estado”, afirma. Lembrando que dos 30.000 vigilantes que são formados em cursos de capacitação na área de segurança, apenas 11.000 estão trabalhando. Segundo Franciso Aneci, a partir de 2007, os órgãos públicos passaram a contratar serviços de segurança privada. O motivo, fala o diretor, é que “a segurança privada é extensiva, oferece serviço de 24hs, sendo mais completa do que a (segurança) pública; pois são poucos os policiais para atenderem à demanda dos bairros de Fortaleza”. Conforme dados do Sindicato de Vigilantes do Ceará, duas empresas atuam como prestadoras de serviço à Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Fortaleza, oferecendo segurança às escolas públicas da capital. Órgãos públicos como a Fundação da Criança e da Família Cidadã (FUNCI) e a Secretaria de Saúde de Fortaleza também contratam esse tipo de serviço.

          As demandas e ofertas por serviços de vigilância de rua nas periferias de Fortaleza crescem. Estatísticas do sindicato apontam que para um vigilante legalizado, três são clandestinos. Francisco Aneci informa que o cearense corre perigo ao contratar serviços de vigilância clandestina. Segundo ele, as pessoas devem procurar empresas autorizadas pela Polícia Federal, pois dispõem de profissionais capacitados para garantir proteção aos cidadãos. “A vigilância clandestina é uma pirataria, é um câncer para a categoria”, desabafa Francisco.

Enviado em Notícias | Tagged: , , , , | 3 Comentários »

Meme literário

Escrito por Helga Rackel em Abril 3, 2008

É, aqui estou! Por conta das atividades acadêmicas (provas e trabalhos), as postagens não são freqüentes nesse momento. Mas, hoje é um dia especial: meu aniversário! Para registrar algo neste dia :D e demonstrar agradecimento pela gentil indicação do Jorge Alberto - Recanto das Palavras, aqui faço este meme. Confesso que é minha primeira vez. :) A brincadeira é indicar cinco autores de minha preferência. É difícil escolher… Vamos lá:

José de Alencar

O mestre que eu tive foi esta esplêndida natureza que me envolve, e particularmente a magnificência dos desertos que eu perlustrei ao entrar na adolescência, e foram o pórtico majestoso por onde minha alma penetrou no passado de sua pátria.

Ahhh… Como não falar do meu conterrâneo? :) José Martiniano de Alencar nasceu em 1829, no distrito de Messejana - hoje, bairro de Fortaleza, Ceará. Atuou como advogado, jornalista, deputado e ministro da justiça; além de ser um dos grandes romancistas brasileiros. Foi patrono da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL), a qual veio a ser ocupada por Jorge Amado. Por sinal, foi muito defendido por Machado de Assis para ocupar a de nº 1. Sobre José de Alencar escreveu Machado de Assis: “Nenhum escritor teve em mais alto grau a alma brasileira. E não é só porque houvesse tratado assuntos nossos. Há um modo de ver e de sentir, que dá a nota íntima da nacionalidade, independente da face externa das coisas”. Por que citar José de Alencar? Porque um dos seus famosos clássicos, Iracema - Lenda do Ceará (1865), a última obra do indianismo romântico, foi o meu real ingresso no mundo da literatura. Iracema, a índia dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. (cap. 2). Um verdadeiro poema em prosa!

Guy de Maupassant

Fixando meus olhos sobre minha própria imagem refletida no espelho, acredito perder a noção de mim. Nesses momentos, tudo se atrapalha em meu espírito, e eu acho estranho não me reconhecer. É curioso ser o que sou, isto é, qualquer um. E eu sinto que, se esse estado durasse mais um minuto, eu me tornaria completamento louco. Pouco a pouco meu cérebro se esvaziaria de todos os pensamentos.

Escritor francês, Henri René Albert Guy de Maupassant nasceu em 1850, no Castelo de Miromensil - Normandia. Considerado um escritor objetivista, Maupassant observava a realidade, tentando ser exato na forma de descrever a vida. Seus textos são espelho da hipocrisia francesa vivida naquela época. Por que citar Guy de Maupassant? Porque eu e Guy nos conhecemos na disciplina de Leitura e Produção Textual I, no 4º semestre do curso de jornalismo. Foi amor à primeira vista! :) Li seus maravilhosos contos e me envolvi de tal forma, que a professora até hoje, quando me encontra, diz que um faz lembrar o outro. Um de seus famosos contos, Bola de Sebo (1880), foi minha estréia. Baseado em fatos reais, o conto retrata a sociedade francesa no final do séc. XIX, subjugada pela ocupação dos alemães, após sua derrota na guerra franco-prussiana. Maravilhoso e bastante atual, comparando à nossa sociedade (apesar de não sermos franceses!).

Fiodor Dostoievski

Ame cada folha, cada raio de luz.
Ame os animais, ame as plantas, ame cada coisa.
Amando tudo, você perceberá o mistério de Deus em tudo.

Um dos maiores escritores da literatura russa, fundador do existencialismo, Fiodor Mikhailovich Dostoievski nasceu em 1821, em Moscovo. Inspirado pelo cristianismo protestante, seus textos são envoltos na relação do homem consigo, com o mundo e com Deus. Algo que reflete a real busca do ser (travado pela humanidade desde sua criação). Ler Crime e Castigo (1866), foi uma experiência instigante. Já tinha ouvido falar em Dostoievski, mas não imaginava quão extrordinária era sua obra. O livro narra a história de Rodion Raskólnikov em sua saga existencial e naturalmente humana. O jovem estudante comete um assassinato e passa a viver suas incapacidades, suas fraquezas em reconhecer a si, o mundo e a Deus. Esplêndido! ;)

José Saramago

Todos os meus livros partem do impossível!

Prêmio Nobel em 1998, José Saramago nasceu em 1922, de uma família de camponeses da província do Ribatejo, Portugal. Exerceu diversas profissões: serralheiro, desenhista, funcionário público e jornalista, antes de se dedicar só à literatura. Romancista contemporâneo, sua linguagem é uma maestria no tratamento da língua portuguesa. Seu estilo é muito interessante: não usa travessão ou dois pontos nos diálogos e sim, vírgulas. Mas não é difícil seguir seu rítimo. É um autor que escreve de forma crítica, irônica, cômica… sarcástica, dialogando com o leitor. Ler Saramago é uma experiência inédita. Nosso encontro surgiu quando descobri As intermitências da Morte (2005). De forma impressionante e criativa, ele nos revela esse personagem tão temido pela humanidade. “A propósito, não resistiremos a recordar que a morte, por si mesma, sozinha, sem qualquer ajuda externa, sempre matou muito menos que o homem.” (pág. 107). Ótimo para discutir sobre as nuances da vida social e política; e claro, sem perder o humor! :D

Max Lucado

Escolho a paz… Viverei perdoado. Perdoarei para que possa viver.

Escritor e pastor evangélico norte-americano, Max Lucado nasceu no ano de 1955, em San Angelo. É um autor bastante conhecido no meio cristão. Suas obras possuem linguagem jovial e atraente, cuja abordagem vai além do que os olhos podem ver. Trata de forma clara, com toques de humor, da vida de Cristo e seus propósitos sem perder a realidade da natureza humana. Max nos apresenta um cristianismo diferente, sem religiosidade e sim, cheio de amor, paz, alegria e salvação. Sou leitora assídua de suas obras. Fomos apresentados através do livro Ele escolheu os cravos (2006). Fala sobre o amor de Cristo por mim e por você, revelando o por quê desse amor em cada detalhe da crucificação. É apaixonante! :)

Indico para participar do meme:

O Livreiro Assassino

Blog do Mel

Condenados à liberdade



P.S.: Não citei o ano da morte dos autores José de Alencar, Guy de Maupassant e Fiódor Dostoiévski porque - ao meu ver - todo escritor detentor de alguma obra marcante é eterno enquanto suas palavras ecoam ao longo do tempo e espaço. ;)

Enviado em Literatura | Tagged: , , , , , , | 9 Comentários »

(Cons)Ciência

Escrito por Helga Rackel em Março 26, 2008

Texto baseado no Capítulo 1: Para a Ciência, do livro Ciência com consciência (Edgar Morin).

 

        A ciência tem avançado no conhecimento de forma surpreendente nesses últimos anos. O desenvolvimento da biotecnologia, nanotecnologia, entre outras tecnologias, tem causado descobertas científicas as quais transpõem o limite da ética do conhecimento. Esse domínio conduz à cegueira do controle intelectual.

            A ética cívica e humana entra em questão a partir do momento em que a fronteira do conhecimento é subjugada pela certeza da conquista. A priori, a ciência empossava-se da verdade adquirida pela descoberta da pesquisa investigativa.Lupa Entretanto, hoje, a incerteza faz parte, também, da complexidade científica. Seu desenvolvimento tende ao antagonismo de seus objetivos. O bem pode tornar-se o mal. Assim, o conhecimento científico amplia os horizontes dos investigadores, gerando progressos e ao mesmo tempo, paralelos negativos.

        Morin faz uma analogia a esses acontecimentos, comparando essas transformações à história bíblica sobre a árvore do Éden, cujo fruto foi experimentado por Adão e Eva, trazendo à tona o conhecimento do bem e do mal, predispondo até a infelicidade da serpente perante a ganância do homem, dizendo que o peso dos frutos pode derrubá-la sobre os três. Contudo, podemos associar a árvore à ciência, o fruto ao conhecimento científico, a serpente à vaidade, Eva ao cientista e Adão à sociedade.

        A vaidade intelectual do homem proporciona sucessivas escolhas entre a prioridade de conquistar o ilimitável e a necessidade de investigar seu objeto de pesquisa para ajudar o outro a vencer suas limitações em busca da cura política, social, econômica e/ ou científica.

        Segundo o autor, todo cientista tem dois deuses os quais são complementares por precisarem da ética, como também, contraditórios diante do sacrifício da sede do conhecer e da presteza à cidadania. Exige-se a precisão do controle intelectual como reforma do modo de pensar para que não haja fuga da real reflexão sobre o observado e seu observador.

        A ciência não é total benignidade, mas tem progredido. O uso dessa progressão demonstra a capacitação do domínio sob as mãos do homem. A reforma do pensar seria o controle desse domínio.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 7ª ed. - Rio de Janeiro, RJ: Editora Bertrand Brasil, 2003.

Enviado em Artigos, Ciência | Tagged: , , , , | 3 Comentários »

Não duvides do que Deus tem dado a ti!

Escrito por Helga Rackel em Março 25, 2008

Crianças
“Mas, quando vos entregarem, não cuideis de como, ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de dizer. Porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós.” Mt 10:19,20.

Deus tem levantado o seu povo e a eles entregado dons e talentos. Porém, muitos são aqueles que não acreditam no que Deus os tem capacitado. São muitas as vezes em que o Senhor fala conosco e ainda sim, duvidamos. Por quê? O homem é falho. E em sua imperfeição tem se estabelecido. Pouca fé. Porque duvidar, se Deus é conosco? Devemos ter mais fé e acreditarmos mais em nós mesmos. Ora, se o Senhor acredita em nós, porque fazermos diferente?! Não devemos temer em falar o que a nós foi entregue pelo Espírito Santo de Deus. Quando negamos assim fazê-lo, negamos também o Espírito.

É nosso direito e dever buscarmos mais a Deus, a plenitude do seu Ser, da Sua glória e do Seu poder. Deus é amor (1 Jo 4:8b). E é esse perfeito e incomparável amor que Ele deseja compartilhar conosco. Por que negá-lo? Por que negarmos o melhor que Deus tem para nos dar? Pense. Reflita. Medite. Deus tem mais para ti, basta crer e nEle descansar. Quando Deus quer, Ele usa a quem quer, como Ele quer, na hora que Ele quer, onde Ele quer e para quem Ele quer, dando autoridade e unção do Espírito. Assim como o Pai não faz acepção de pessoas (1 Sm 16:7), isso significa também, que não importa se é novo ou velho, criança, jovem ou adulto; o importante é ter maturidade espiritual, é viver em Cristo e com Cristo. É inevitável! Não devemos nos negar à voz do Espírito Santo. Desprenda-se!

Acredite, Deus quer te usar. É só deixá-lo fluir em teu ser, em tua vida. Ao duvidarmos e não falarmos o que o Espírito do Pai nos entrega, deixamos de ser abençoados e, principalmente, de abençoarmos outrem. Façamos o que o Pai quer e como Ele quer. Não temos nada a perder, apenas a ganhar mais e mais e mais. Deixemos o Espírito Santo de Deus fluir e agir em nossas vidas.

Que a paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo esteja sobre tua vida! Amém.

Enviado em Cristianismo | Tagged: , , , | 2 Comentários »