Verblogando

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Mídia e Arte

Publicado por Helga Rackel em Dezembro 15, 2008

A ESPETACULARIZAÇÃO DO BELO E DA ARTE


A mídia e o seu conceito de beleza como fonte de influencia e mudanças na sociedade foi um dos assuntos debatidos no último dia do encontro de estudantes de Comunicação (Semacom 2008 ) promovido pela FIC


Helga Rackel
Estudante de Jornalismo

Agência FIC)

Apresentação de Reisado antes do painel “A estética do belo na construção da imagem dos ídolos”. (Foto: Agência FIC)

No centro do auditório, cadeiras organizadas em forma de meia-lua. Enlace entre bolas e fitas sugerindo a lona e o picadeiro. As cores completavam o clima de espetáculo circense. A metáfora do ambiente servia como pano de fundo para discutir, refletir e analisar a estética do belo e da arte sob a ótica da mídia na construção de seus ídolos.

“O que é o belo?”, pergunta aos estudantes de Comunicação, professora Valéria Geremia, graduada em Jornalismo Gráfico e Audiovisual. “A estética do belo na construção da imagem dos ídolos” foi o tema debatido na manhã de sábado, dia 14 de novembro, no auditório da Faculdade Integrada do Ceará – FIC/ Unidade Via Corpvs. Além da professora Geremia, a artista visual, curadora e professora de Direito das Faculdades Nordeste – Fanor, Ana Valeska Maia, também participou do painel. A Semana da Comunicação 2008 (Semacom), organizada pelas coordenações dos cursos de Comunicação Social – Jornalismo e Publicidade e Propaganda – e pelos alunos do Diretório Acadêmico de Comunicação Social (DACS), aconteceu entre os dias 11 e 14 de novembro. Este ano, o tema foi “O Espetacular Mundo da Mídia”.

Logo após a apresentação de Reisado, remetendo aos variados conceitos de arte, Valéria Geremia comentou sobre a arte e a beleza da cultura nordestina e a emoção dos que faziam e daqueles que assistiam ao reisado. Após tecer elogios sobre o belo, presente na simplicidade daquela apresentação artística, citou os filmes Beleza Americana (EUA, 1999) e Pequena Miss Sunshine (EUA, 2006) como exemplos para o conceito de estética na arte cinematográfica (crítica ao padrão de beleza) e comportamento estabelecidos pela mídia. Já a artista visual, Ana Valeska, chamou a atenção dos alunos para refletir questões sobre o bem comum para a sociedade, a conservação da natureza e o crescimento espiritual – considerando a idéia de valores do “ser” e do “ter”.

Mas afinal, o que é o belo? Significa perceber a essência da mensagem, interpretar o ausente no presente, tornando o distante mais próximo da alma do receptor? Ou é o que vai além do que podemos ver, transcendendo o objeto em questão e alcançando o subjetivo omitido ao simples olhar? Artista visual, Ana Valeska ressalta a importância da beleza interior. Segundo a curadora, o belo se encontra na natureza, nas coisas simples da vida. “Dê importância ao que você é, valorize mais o ser do que o ter. Precisamos nos preocupar com a vida!”, enfatiza.  De acordo com a professora Geremia, não podemos limitar o significado da arte e da beleza. Pois cada obra tem a sua beleza e esta depende do olhar de quem a observa. “Antes, as mulheres gordinhas eram referenciais de beleza. Hoje, as magrinhas são o padrão da beleza feminina para a sociedade”, conclui.

Ponto de Vista

O que é arte?
Professora Valéria Geremia:
Há inúmeras definições para o que seja arte, os pensadores vêm reconstruindo diversos conceitos e há sempre novas modificações… as que mais me parecem interessantes são as que falam da arte como prática lúdica, uma brincadeira, ou como forma de aprendizado para o ser humano integral.

Qual a melhor definição para o belo?
Valéria Geremia: O belo e a arte têm suas definições sendo reformuladas em paralelo. Algumas definições do belo o relativizam tanto que percebemos que o aparentemente feio também pode ser considerado belo (se a beleza for, para nós, no caso, nos instigar a refletir sobre o mundo à nossa volta).

Como funciona a estética do belo na construção dos ídolos?
Valéria Geremia: Os Meios de Comunicação têm, como vimos em Teorias da Comunicação, um caráter conservador. Tendem a reproduzir os gostos da classe dominante. Assim, o belo que é divulgado e incentivado está relacionado ao tipo físico dos que dominam ideologicamente o mundo. O padrão normalmente segue a norma: loira (o), alta (o), de olhos claros e corpo esguio (musculoso).

Por que existem ídolos? Há uma beleza padrão?
Valéria Geremia: Por que existem os ídolos? Porque a maioria da população se sente excluída da mídia. Aprofundando mais: sente que não tem valor o bastante para aparecer na mídia (disfunção: o que aparece na TV é importante – e não: o que é importante acaba aparecendo na TV). Se a maioria da população se sente, eu diria, até, inferior, acaba idolatrando aqueles considerados “superiores”. Se conseguíssemos pensar em um mundo em que todos se sentissem aptos a fazer arte e a apreciar arte, talvez não precisássemos tanto de ídolos, enfim…

Como relacionar o assunto com o “Espetacular Mundo da Mídia”, tema da Semacom 2008?
Valéria Geremia: Creio que a relação com a espetacularização fica clara. Principalmente se pensarmos nos ídolos como parte da auto-publicidade  da mídia: quanto mais gloriosos, estrelas eles forem, mais valor terão os canais de TV em que eles aparecem, os filmes nos quais atuam ( e menos valor tem as pessoas anônimas, porque não aparecem na mídia).

Qual a sua análise sobre concepção da reprodutibilidade técnica e do grotesco na atualidade?
Valéria Geremia:
Bem, o grotesco, hoje em dia, é usado principalmente para a alienação – exemplo ótimo: Jackass, grupo dos EUA que usa um grotesco sem qualquer possibilidade crítica. Já alguns quadros do Pânico, tem um potencial crítico ótimo, como As Sandálias da Humildade, que vem justo criticar esse sistema de criação de ídolos em que alguns são considerados melhores do que outros apenas por aparecerem na mídia.

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Filosofia e Arte

Publicado por Helga Rackel em Dezembro 14, 2008

Helga Rackel)

Fotografia: desvalorização ou originalidade? (Panelão – RS/ Foto: Helga Rackel)

As críticas de Walter Benjamin no ensaio “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica”, abrem um novo plano para o estudo das reproduções de obras de arte produzidas desde os tempos antigos até a época atual. Apresentando o valor da aura, encontrada no original de uma atividade artística, o autor analisa se ela, ante as mudanças ocorridas na modernidade, ainda se faz presente no objeto. Benjamin observa que, se por um lado o progresso tecnológico trouxe benefícios para a população que não tinha acesso àqueles trabalhos, por outro ele termina por desvalorizar o artístico. A obra de arte possui uma autoridade que se perde quando reproduzida; sendo que as reproduções não são de todo maléficas. A reprodução técnica, no caso da fotografia, permite ressaltar aspectos que o original não mostrou, devido a recursos como a ampliação e a câmera lenta. Embora essa reprodutibilidade  não altere a essência da obra, ela causa uma desvalorização da sua originalidade e autenticidade. A aura que envolve a arte só se perde na medida em que ocorre a multiplicação dos exemplares da obra, fazendo com que esta se transforme num fenômeno de massa, quando na verdade foi produzida uma única vez.

Mesmo a imagem fotográfica tendo sua significação histórica, ainda há polêmica no que diz respeito à interpretação do que seja “obra de arte”. O belo é arte? O que é o belo senão o sentimento, o prazer e o objetivo – além do subjetivo, os quais envolvem a produção artística, seja ela artesanal ou mecânica?

Para o senso comum, não há dificuldade em definir o que é arte: arte é a manifestação da beleza. O problema está quando começamos a discutir o significado da palavra beleza. O escritor russo, Leon Tolstoi, comenta que, a cada nova obra de estética, a beleza é definida de uma maneira diferente. Enquanto que para o fundador da estética, o filósofo alemão Alexander Baumgarten, a beleza é o perfeito percebido pelos sentidos, cuja tarefa mais elevada da arte é a imitação da natureza.

+ informação: Leon Nikolaievitch Tolstoi (1828-1910): escritor russo nascido em Iásnaia Poliana, famoso por suas idéias pacifistas. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz, sobre as campanhas de Napoleão na Rússia, e Anna Karenina, onde denuncia o ambiente da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura. Alexander Gottlieb Baumgarten (1714- 1762): filósofo alemão nascido em Berlim, criador do vocábulo Aesthetica (=estética). Ensinou nas Universidades de Halle e em Frankfurt e escreveu em latim sua obra mais notável Aesthetica (1750-1758), onde descreveu o conceito da nova palavra. Ainda foi autor de várias outras obras sobre lógica, ética e teologia como Métaphysique (1739) e Esthétique (1750-1758). Walter Benedix Schönflies Benjamin (1892-1940): crítico literário e filósofo judeu alemão, nasceu em Berlim. Conhecido por apresentar uma visão do cinema diferente da maioria dos integrantes da Escola de Frankfut, ele aborda a concepção de meios de comunicação de massa a partir da discussão sobre a reprodutibilidade técnica. Aura: distância e reverência que cada obra de arte, na medida em que é única, impõe ao observador. Reprodutibilidade Técnica: a reprodução mecânica do objeto de arte.

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O cômico reflexivo

Publicado por Helga Rackel em Dezembro 13, 2008

O quadro Negro, eu?! da extinta TV Pirata, apresenta-nos a típica figura do adolescente que não é compreendido pelos pais. O conflito é gerado após o jovem assumir que é negro – há uma breve pausa que gera um sentido ambíguo ao termo “assumir”. O pai, aterrorizado com a confissão do filho, apressa-se em convencê-lo do contrário. A mãe, preocupa-se em mostrar o futuro promissor para o rapaz que, segundo eles, não é negro e sim, moreno – porque “negro é crioulo”.

Satirizando o preconceito racial, o vídeo possui características do grotesco crítico presentes no figurino e no diálogo. Os atores, que na verdade são brancos, tem sua pele pintada de preto para dar vida aos personagens negros. A fala do rapaz, carregada de gíria e indignação, reafirma o estereótipo de que negro é malandro. A entonação da voz e a estética do ambiente demonstram a necessidade dos pais em manter a postura de acordo com os padrões da gente clara e educada. Essa idéia é bastante reforçada no momento em que o filho pede ao pai para “armar um pagode lá no fundo do quintal”, e este relaciona o conceito de pagode com: samba, gente fazendo zoeira, bebendo, cheirando fossa no meio da sala. Mais uma vez, o estereótipo negativo do negro é abordado.

O grotesco crítico é perceptível na mudança do nome do rapaz de Alvinho para James Brown, fazendo trocadilho com as cores branca e marrom. A revista que a mãe folheia, chamada Ebony (negro/ escuro, em inglês), é usada para mostrar a foto de Michael Jackson, que ficou “uma gracinha”, “tão clarinho”, “tão bonitinho” e convencer o filho de alisar o cabelo. A heterogeneidade mostrada faz alusão à discriminação racial pelos próprios negros. Os recursos estéticos aqui trabalhados são caricaturas da realidade.

Desmascarando as convenções da sociedade e ridicularizando seus ideais egoístas, o quadro do programa leva o público à reflexão, de modo risível. Eis, mais uma vez, o grotesco crítico. Os 2min41s podem ser analisados nessa perspectiva, sem exceção.


*Análise e texto feitos em parceria com o amigo Alan Rodrigues.

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Em defesa do diploma para jornalistas

Publicado por Helga Rackel em Agosto 15, 2008

Campanha Diploma

Jornalistas por formação: melhor para o jornalismo, melhor para a sociedade

FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas

Sindjorce – Sindicatos de Jornalistas do Ceará

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Cordel

Publicado por Helga Rackel em Junho 16, 2008

É a literatura de cordel
A poesia do canto repentista.
Símbolos do homem ou inspiração do céu?
É a literatura de cordel
O popular da cultura nordestina.

Xilogravura

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Perfil

Publicado por Helga Rackel em Junho 14, 2008

Aprender é fundamental para o estudante Lee Pontes

“Foi acidente. Eu pensei que tinha colocado o certo”, fala Lee Jefferson Pontes da Silva, 23 anos, estudante do 5º período do curso de Jornalismo da Faculdade Integrada do Ceará – FIC, ao lembrar o dia em que fez sua inscrição no Programa Universidade para Todos (Prouni) – plano de assistência educacional do governo Lula, destinado a estudantes de baixa renda. Pensando que tinha marcado a opção do curso de Medicina, Lee Jefferson se enganou: assinalou a de Jornalismo. Mas, só percebeu o engano quando recebeu a correspondência informando o resultado.

Com olhar sereno e sorriso tímido, apesar de se sentir muito cansado após uma longa jornada de trabalho, Lee revela suas idéias, experiências e planos quanto ao seu futuro profissional. Começou a trabalhar quando tinha 17 anos. Cedo, ganhou sua independência financeira. Ao sair de casa, precisava se manter. Morando com uma amiga que veio do interior para Fortaleza, seu primeiro trabalho foi na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Ceará – UFC, onde seu ofício era fotocopiar materiais acadêmicos. Batendo com os dedos na mesa, como se estivesse contando e fazendo esforço para se lembrar, Lee conta que trabalhou durante cinco anos na sala de xérox da faculdade.

Questionado sobre qual o momento em que começou a pensar em seu futuro profissional, o aspirante a jornalista responde: “Acho que… quando tinha uns 20, 20 e poucos anos. Aos 20 anos, a ficha caiu”. Ele afirma que sempre quis fazer jornalismo. Mas quando trabalhava na Faculdade de Farmácia da UFC, conheceu um grupo católico e começou a participar de suas atividades. Uma delas era no setor de enfermaria. Cuidando de idosos, gestantes, pessoas carentes, Jefferson tomou gosto pela área. Foi quando resolveu tentar vestibular para o curso de Medicina.

Após descobrir sua aprovação em Jornalismo, opção marcada na ficha de inscrição por engano, Lee se prepara para ingressar na FIC. Para regularizar a documentação necessária na matrícula, o jovem acadêmico precisava falar com sua mãe. Depois de quatro anos sem manter contato, eles se reencontram. “Tive que voltar a falar, conversar”, comenta, com os olhos marejados. Por um desentendimento, mãe e filho não se comunicavam. A necessidade falou mais alto e o orgulho ferido deu lugar ao perdão.

“Depois de dois anos no curso de jornalismo, apareceu estágio”, conta. Cursando Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, desde 2006, a oportunidade de estágio aparece em maio deste ano. Mesmo não sendo remunerado, Lee se sente realizado em aprender o fazer jornalístico na redação do Diário do Nordeste – DN. “A minha remuneração é a experiência de vida da chefe de redação. Ela está sendo minha orientadora”, diz. Segundo o universitário, o dinheiro não paga a oportunidade de estagiar no DN. Para ele, o jornalista tem que se arriscar, construir sua imagem. Pode ser difícil, mas tem que saber aproveitar as oportunidades.“Sei que vou crescer lá dentro”, almeja.

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Jornalismo

Publicado por Helga Rackel em Maio 27, 2008

IMEDIATISMO ON-LINE GERA MUDANÇAS NA COMUNICAÇÃO

Helga Rackel
Estudante de Jornalismo

“A Internet é a única mídia que pode abrigar, tecnologicamente falando, as demais mídias, por comportar som, texto e imagem ao mesmo tempo”, declara Marília Cordeiro, editora de convergência do O Povo, falando sobre o atual contexto do fazer jornalístico. A cada dia, mudanças na maneira de produzir a notícia desafiam os jornalistas. Com o advento das novas tecnologias, os meios de comunicação se readaptam. Diante desta realidade, o trabalho dos profissionais de jornalismo passa pelo aprimoramento na tarefa de convergir notícias em diferentes mídias. Empresas que antes noticiavam através do veículo impresso, tevê ou rádio, aderem ao imediatismo da internet.

Segundo Marília, com a possibilidade de pautar os demais meios nas coberturas factuais, a internet diminui o tempo entre o acontecimento e a notícia, fazendo com que a apuração seja mais rápida na tevê e na rádio. Já no impresso, o texto puramente factual tende a ser analítico. Eliomar de Lima, 45, jornalista há 24 anos, radialista, professor e escritor de histórias infantis, acredita que o jornal impresso não se acaba e sim, se transfere. “O jornal se adapta, vive momento de reavaliação, vai além da informação”, diz. Hoje, empresas jornalísticas investem em portais, blogs, além de criarem o jornal digital. Adepto à interatividade do universo blogueiro há 1 ano e 6 meses, Eliomar fala que os blogs democratizam a informação e possibilitam a interação – retorno instantâneo dos leitores, seja para criticar ou elogiar. Para Leonardo Fontes, editor de conteúdo do Portal Verdes Mares, o público é o agente direto da notícia, pois a internet funciona com uma rapidez que agrada a esse novo leitor. “E blogs são apenas a ponta do iceberg do que é a internet social”, considera.

A produção imediata das notícias traz à tona questionamentos quanto à credibilidade e o aprofundamento das informações. Profissionais e amadores dividem o mesmo espaço virtual para divulgarem notícias em tempo real. Para identificar a veracidade das informações, o jornalista Eliomar de Lima atribui a credibilidade ao nome do profissional. “A diferença está no conteúdo e em quem escreve”, declara. Já Marília Cordeiro, diz que o uso das técnicas e a vivência auxiliam na checagem das fontes, além da fundamentação do texto com números, documentos, pesquisas e estudos. “É importante que o receptor crie uma relação com estas ‘fontes virtuais’ para criar o bom senso de saber o que é verídico ou não”, complementa.

O imediatismo no jornalismo on-line também provoca a superabundância e o barateamento das notícias, além da sua instantaneidade. Sites como o Overmundo, Orkut, Youtube são celeiros de publicações noticiosas sobre diversos temas. As postagens são feitas por qualquer pessoa, profissional ou não, que queira divulgar textos, áudio ou vídeos de sua autoria. Tais mecanismos equiparam o mesmo espaço que possibilitam a formação de repórteres-cidadãos, os quais trabalham o corporativismo da informação, invadindo espaços que antes pertenciam apenas aos jornalistas. O leitor seleciona, legitima, aprova ou desaprova. Essa interatividade expande os meios de comunicação e produz a hipertextualidade das notícias on-line.

Lauriberto Braga, jornalista especializado em Publicidade & Propaganda, correspondente da Agência Nordeste e professor da Faculdade Integrada do Ceará (FIC), acredita que o repórter-cidadão, para a rádio, é interessante. Porém, para o jornal, a pessoa deve estar preparada para escrever. “Isso deve ser feito só pelo jornalista”, enfatiza. Segundo Braga, o repórter-cidadão é o início da cobertura, podendo sugerir pauta, fotografar, filmar e vender a imagem. “Mas não pode escrever se não for jornalista”, reitera. De acordo com Leonardo Fontes, jornalistas e empresas jornalísticas vivem uma crise: a perda de sua hegemonia como mensageiros. Hoje, qualquer pessoa pode dar voz à notícia, lançando um novo olhar para a apuração das informações. Porém, ele considera que esta crise seja boa para o setor de comunicação. “O jornalismo enquanto ideal, técnica, função, troca de informações, fluxo de idéias, opiniões, debates sociais e responsabilidade na transmissão de informações, nunca esteve em melhor forma, mesmo porque como todos têm voz, existem mais fiscais de qualidade, mais visões de mundo e mais fontes”, conclui.

Estat�sticas de acesso

Fonte: Google Analytics - referente ao período de um mês, entre Abril e Maio de 2008. *Acessos por mês: contabilizam o número de sessões individuais iniciadas por todos os visitantes no site. **Exibições de páginas: contabilizadas a cada página que é visitada dentro do site.

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“Aperreio”

Publicado por Helga Rackel em Maio 2, 2008

 

Transporte coletivo

Ser usuário de ônibus é uma ginástica. Um exercício obrigatório de sobrevivência. Fortaleza tem se desenvolvido como as demais capitais, expandindo seus horizontes urbanos. Não é mais tranqüila como nos tempos de meus avós – assim eles contavam. Com o progresso capitalista, novas tecnologias são inseridas no contingente social. Carros de luxo e carros populares, motos, bicicletas, ônibus e topics… Todos fazem parte do dia-a-dia fortalezense. Há aqueles que preferem economizar, deixando seu automóvel na garagem. Outros optam em dirigir do que “ser dirigido”. Ônibus não é veículo para covardes. O transporte coletivo está para os cidadãos, assim como o obstáculo está para os atletas! O trânsito de nossa querida capital ensolarada não favorece ao trabalhador que acorda cedo para não atrasar, muito menos ao estudante que chega tarde da noite em casa, depois de horas de aulas. Ou seja, o desenvolvimento humano parece que não é bem vindo aqui.

Passando por condições subumanas, passageiros entram e saem de coletivos ou topics feitos “sardinhas”. Agüentam pisadas, empurrões e palavrões dos mal-humorados companheiros de viagem, como do motorista ou do trocador. Estes, sempre aborrecidos quando estão atrasados. Certo. Mas onde fica o controle de tráfego da nossa “Fortaleza Bela”? Trajetos que se tornam estressantes dentro e fora do veículo são comuns na rotina urbana. Exemplos: motoqueiros que ultrapassam os carros, fazendo zig-zags mortais para driblar o tempo e o espaço; ciclistas enfrentando as mesmas vias dos automóveis; pedestres correndo fora da faixa de trânsito etc. Assim, a vida urbana acelera toda hora, sem tempo para descansar.

Trafegando nas vias públicas, percebemos a carência de reformas no trânsito da capital cearense. Ser estudante e assalariada tem me proporcionado grandes emoções no itinerário casa-trabalho-casa-faculdade-casa, sempre passando pelo terminal. Passar minutos preciosos na fila à espera do ônibus, ser quase esmagada ao subir, sufocada ao passar todo o trajeto em pé. Tanto sacrifício porque não há carros suficientes para a mesma linha nas horas de pico. Vai-vem dentro e fora. Agonia e alívio. Onde está a política pública nesses momentos de tensão dos fortalezenses? Nenhum ser humano merece ser tão humilhado ao sair de casa. Somos nós que movimentamos a máquina capitalista do consumo e das repartições públicas. Para cumprir com nossos deveres de cidadãos, não usufruímos nossos direitos. Há uma crescente e gritante necessidade de mudanças em nossa sociedade, a começar pelo trânsito infernal que mata e aleija pessoas comuns. Estas que não têm condições de esperar no carro, ouvindo música sob o clima fresco do ar-condicionado.

*Imagem: Diário do Nordeste.

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Ao mestre

Publicado por Helga Rackel em Abril 26, 2008

Homem de garra, destemido, idealizador…Presidente do Jornal O POVO
Dr. Demócrito sonhava e conseguia nos embalar neste sonho.
Alçava vôo mais alto do que pudéssemos imaginar.
Envolto de humildade e sabedoria, virtudes bem presentes ao longo desses anos dedicados ao jornal, nos revelava as nuances de um homem que tinha esperança, que acreditava nos valores da vida.
Presente, mesmo quando ausente…
Cada detalhe do Jornal O POVO faz referência ao nome Demócrito Dummar. Sua altivez não ofuscava seu altruísmo. Detentor de uma presença marcante, não fazia esforço para anunciar sua chegada. Era visto com respeito e admiração por todos aqueles que tinham o privilégio de cruzar seu caminho. A postura do “homem feito” não apagava o sorriso do menino aprendiz. Sorriso singelo, gestos delicados, uma certa timidez pincelavam seus passos no caminho da justiça, da verdade e do amor.
Não perdemos nosso presidente.
O sopro da vida pode ter cessado neste momento, mas as lembranças que a própria vida desenha em nossa mente é a prova de que a eternidade começa em cada cifra composta na música do viver, a partitura escrita por uma vida com propósitos.
Dr. Demócrito, nosso mestre, nosso exemplo.

Homenagem dos Populares ao homem que provou através da comunicação, o poder de informar e transformar com amor.


*Escrito por Helga Rackel, funcionária há 7 anos do Jornal O POVO, em 26 de abril de 2008.
(O POPULARES é o departamento de classificados do O POVO).

**Texto publicado (dia 03 de maio) no Jornal do Leitor, suplemento do Jornal O POVO com veiculação aos sábados.

Saiba mais sobre o presidente do grupo de comunicação O POVO:
Demócrito Rocha Dummar

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Porque somos o que somos…

Publicado por Helga Rackel em Abril 24, 2008

Cotidiano

Nada mais, nada menos do que seres humanos. Humanos em sua obscuridade e imperfeição de ser. Homo sapiens suplantados ao querer e ao poder. Visão pessimista e utópica da legitimidade que pode existir no nada. Cético em seu refúgio e saber, intérprete do ontem e vidente do porvir (perdoe-me pela redundância!). Esse é o típico da ideologia antropocêntrica. O homem como o centro de todas as questões e respostas. Há solução para o egocentrismo humanitário? Será o homem um produto do acaso, resultado de um barulho explosivo ecoado do nada universal, o chamado Big Ban? Bum! O nada pari o tudo e isso é indiscutível? Hahahahahaha!!!!!! Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha? Esta pergunta, deixo para você responder. Mas a anterior, deixa que eu lhe respondo.

Para algo ter coerência e coesão, é necessário planejar e traçar de forma que sua estrutura seja previamente detalhada.  Ou, o tiro sai pela culatra! Não dá para acertar se não temos um alvo para isso. É como jogar o nada no nada. Resultado: caminhar sem direção. Dá pra chegar a algum lugar assim? Claro que não! Seria, então, o homem um produto acidental? Como seria, se ele tem o livre-arbítrio de escolha em fazer o certo ou o errado? Ambos não surgem por acaso, mas por uma escolha. Então, o ser humano não surge do nada, mas de uma supremacia existencial: o Criador. Se existe a criatura, concluímos que há um criador.

O homem não provém de um acidente ou incidente divino, mas de uma providência exata e perfeita do Ser, o qual se chama Deus. O Todo-poderoso não joga roleta russa, pois trabalha minuciosamente e precisamente na criação, assim como um oleiro em seu vaso. Tudo estudado, soado, planejado nos mínimos detalhes. Daí você pergunta: “Por que então existem tantos problemas gerados pela imperfeição humana?” Ora, se Deus em sua perfeição criasse seres perfeitos, a criatura precisaria de seu Criador? Com certeza, não. Deus não é um ditador divino. É Pai. Criou o homem para ser seu filho por adoção. Por isso o fez imperfeito. O filho precisa do pai. Conseqüentemente, o homem não esqueceria de Deus, mas necessitaria dele como pai, conselheiro e amigo. É assim que Ele desejou e ainda anseia: que o homem dependa dele como pessoa, como alguém muito importante; não como uma marionete ou um fantoche coordenado por sua vontade.

Mar e céu Podemos afirmar que o homem sem Deus é justamente aquele cuja descrição se encontra no início deste texto. Agora, o ser humano que reconhece sua paternidade celestial, vive o primeiro amor – soberano, inigualável e verdadeiro – e se descreve de outra forma. Ou seja, ele é manso, bondoso, paciente, amoroso, humilde. Seu pensamento não é egoísta, pois se preocupa com o próximo. Não tem interesses próprios e convenientes para si, mas desenvolve um coração puro, cujo amor não faz acepção de pessoas.

Ser guiado por Deus é uma escolha feita justamente por se ter o livre-arbítrio. Estar sob a bondosa e justa vontade do Pai é viver desprendido do consumismo ofertado pela globalização, a qual favorecida pelo capitalismo exacerbado, transforma o homem num produto fútil e barato. Essa é a realidade do mundo, acompanhada pela modernidade e pelos avanços tecnológicos e científicos dos quais o ser humano acredita descobrir sua potência, independente da sabedoria divina, baseado em sua autoconfiança … Dominâncias cujos preceitos fogem dos propósitos dedicados por Deus à nossa vida.

O Senhor nos prometeu bênçãos, mas não disse que receberíamos sem lutas. Ele confirmou as dores, porém não disse que sofreríamos sozinhos. A diferença de passarmos por dúvidas, aflições, tristezas, doenças, soluções, vitórias, alegrias e saúde – quando estamos com o Senhor – é simplesmente a certeza e a vivência de que Ele está ao nosso lado e muitas vezes carrega os nossos fardos tão pesados e sacrificantes. Tudo isso porque Ele mesmo venceu!

Como pode um diamante tornar-se formoso e escultural se não for lapidado? Como pode um vaso tornar-se mais belo e raro se quando rachado ou quebrado não for refeito sem remendos? Como uma borboleta tão linda e especial pode chegar a este estágio sem antes ter sido uma lagarta feia e gosmenta? Como pode o céu enfeitar-se com o magnífico e estreante colorido de um arco-íris sem antes o surpreendente quadro nublado e frio de uma tempestade ter-nos visitado? Essas e outras situações verídicas e freqüentes em nosso viver terreno nos prova como é preciso estarmos feios para entendermos a beleza, ficarmos tristes para compreender a alegria, perdermos algo para valorizarmos o que ganhamos. Não há vitórias sem lutas. Não há manhã sem antes ter anoitecido.Grand Teton National Park

Não há criatura sem antes o Criador.

Não há propósitos sem antes uma vida.

Não há vida sem antes vivê-la.

Não há dia sem o sol.

Não há noite sem a lua.

Não há obra sem um Autor.

Porque viver sem Aquele que criou a vida fará de nós pessoas capazes, felizes, amantes e vencedoras se não há quem melhor entenda a música do que seu compositor?

Viver é como dançar, cantar e sentir uma música. Por que não deixar o Compositor nos ensinar os compassos dessa partitura?

Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto. Jeremias 17: 7, 8 – Bíblia.

A vida é um combate, que os fracos abate, que os fortes e os bravos só quer exaltar. Leonardo Boff – A águia e a galinha.

*Imagens: site Getty Images – Nicholas Eveleigh, Raymond Patrick, Ron & Patty Thomas.

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